Maioria dos americanos reprova política de repressão à imigração de Trump, aponta novo levantamento

 

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A aprovação da política de imigração do presidente americano, Donald Trump, atingiu o nível mais baixo desde seu retorno à Casa Branca no ano passado, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira, com a maioria dos americanos avaliando que a repressão aos imigrantes é excessiva. O levantamento foi feito antes e depois da morte de um segundo cidadão americano em Minneapolis, Alex Pretti, em confrontos com agentes de imigração durante protestos no fim de semana.

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O tema da imigração, que havia sido um ponto forte após sua posse, perdeu apoio ao longo dos últimos meses. Segundo a pesquisa, apenas 39% dos americanos aprovam a política de imigração de Trump, uma queda em relação aos 41% do início de janeiro, enquanto 53% desaprovam.

A maioria dos 1.139 entrevistados (58%) afirmou que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) foram longe demais em suas ações, contra 12% que consideram a repressão insuficiente e 26% que a avaliam como adequada. A percepção também varia por partido: cerca de nove em cada dez democratas veem excessos, frente a dois em cada dez republicanos e seis em cada dez independentes.

A aprovação geral do presidente também recuou de 41% para 38%, igualando o nível mais baixo de seu mandato atual. A pesquisa tem uma margem de erro de cerca de três pontos percentuais.

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A pesquisa foi divulgada em meio a um cenário interno turbulento, com a morte de Pretti por agentes do ICE no sábado em Minneapolis, poucas semanas após Renee Good também ter sido morta nas mesmas circunstâncias na cidade, o que levou a grandes protestos.

Após a morte de Pretti, Trump enviou seu principal responsável pela fiscalização da fronteira, Tom Homan, a Minneapolis nesta segunda-feira e adotou um tom mais conciliatório do que o inicial, numa tentativa de amenizar a indignação nacional causada pelo segundo assassinato de um cidadão americano que protestava contra as operações militares de imigração neste mês.

O presidente também afirmou que teve uma conversa por telefone com o governador do estado de Minnesota, o democrata Tim Walz, e que Homan e ele devem articular uma possível colaboração.

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Apesar da abertura oferecida pelo presidente, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt declarou durante uma coletiva de imprensa na tarde desta segunda que as mortes a tiros de Good e Pretti foram causadas pelas ações do governo local e estadual, incluindo o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis, que, segundo ela, espalharam "mentiras" sobre as operações de fiscalização da imigração. Leavitt afirmou que os democratas são responsáveis por encorajar "agitadores de esquerda a perseguir, gravar, confrontar e obstruir" agentes federais de imigração.

Na sequência, a porta-voz declarou que, se as forças policiais locais de Minnesota forem trabalhar em conjunto com o ICE, como sugerido na ligação entre Trump e Walz, o envio de agentes da Patrulha de Fronteira para Minneapolis não seria mais necessário. Ela reforçou ainda que Walz pediu a Trump que reduzisse o número de agentes de imigração presentes no estado.

Diante do aumento de pedidos por uma investigação completa do ocorrido, incluindo de aliados republicanos, Trump evitou dizer se o agente federal que matou Pretti em Minneapolis agiu de forma apropriada em entrevista telefônica de cinco minutos concedida ao Wall Street Journal na noite de domingo. O presidente também afirmou que o governo está revisando o caso. Trump também sinalizou que agentes federais de imigração poderão deixar a região "em algum momento", sem indicar prazo.

Com agências internacionais.