Cerca de 78% dos americanos atribuem parte da responsabilidade pela alta dos preços às políticas do presidente Donald Trump, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta sexta-feira (9). O levantamento mostra que o custo de vida é a principal preocupação de eleitores republicanos e democratas às vésperas das eleições legislativas de 3 de novembro. Leia também: Trump diz que fala sobre possível ataque do Irã à Califórnia foi mal-interpretada Trump é alvo de vaias de manifestantes ao tentar mobilizar eleitores do Texas Eleitores de Trump estão menos animados para votar nas eleições legislativas, diz pesquisa
Entre os eleitores do Partido Republicano de Trump, 57% afirmaram que os custos estão aumentando mais rapidamente do que seus salários, um exemplo claro de como sua política de tarifas sobre importações, a guerra contra o Irã e outras medidas entraram em conflito com uma promessa central de sua campanha de 2024: acabar com a inflação e reduzir os preços "já no primeiro dia".
Em vez disso, a inflação aumentou, a ponto de o Federal Reserve (Fed, banco central americano) passar a elevar os juros para conter a alta dos preços, que as autoridades monetárias atribuem a diversos fatores, incluindo o aumento dos custos globais de energia após o início do conflito no Oriente Médio e a imposição de tarifas agressivas sobre importações pelo governo.
As preocupações com a economia e a guerra levaram a aprovação de Trump a mínimas históricas e vêm prejudicando o apoio a seu partido antes das eleições de 3 de novembro, que determinarão o controle do Congresso pelos próximos dois anos.
Cerca de um em cada quatro republicanos desaprova a condução da economia por Trump, opinião compartilhada por 63% dos independentes e 92% dos democratas. A desaprovação é ainda maior em relação à inflação, com 68% de todos os entrevistados e 40% dos republicanos insatisfeitos.
Jeffrey Talley, de 65 anos, um examinador bancário aposentado de Mission Hills, no Kansas, é filiado ao Partido Republicano. Ele disse que votou em Trump em 2016, mas não em 2020 nem em 2024, e agora pretende votar no democrata Adam Hamilton em uma disputa pelo Senado que se tornou inesperadamente acirrada no Estado.
"Sou praticamente contra toda essa loucura que está acontecendo no Oriente Médio com a guerra contra o Irã e que está elevando o preço da gasolina... Isso tem sido muito desanimador", afirmou Talley. Ele vê a eleição como uma oportunidade de eleger "alguém que imponha limites e contrapesos à loucura que está acontecendo na Casa Branca".
A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada pela internet em todo o país ao longo de seis dias e concluída na segunda-feira, ouviu 4.506 adultos americanos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para o conjunto dos entrevistados e de três pontos para republicanos, democratas e independentes. Eleição EUA Eric Gay/AP
'Tudo ficou mais caro' O preço médio nacional do galão de gasolina era de US$ 4,36 na quinta-feira, em comparação com US$ 3,11 um ano antes, enquanto o diesel custava US$ 6,28, após uma disparada recorde dos preços cujos efeitos talvez sejam sentidos com mais intensidade em Estados agrícolas, como o Kansas.
Outra moradora do Kansas, Athena Barrett, de 41 anos, de Kansas City, disse que o desempenho de Trump a motivou a se registrar para votar porque "não gosto muito do que o presidente está fazendo".
"Os preços da gasolina... os preços dos alimentos, o custo de vida — tudo aumentou; o que está acontecendo com o Irã e toda essa questão da imigração", disse Barrett, que é hispânica.
Os eleitores hispânicos apoiaram Trump em grande número em 2024, mas pesquisas têm mostrado uma queda desse apoio.
A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou que Trump havia encerrado a "crise inflacionária" de seu antecessor, o democrata Joe Biden, ao impulsionar a economia com cortes de impostos e reduzir os preços dos medicamentos vendidos sob prescrição médica.
"O presidente apresentou conquistas concretas para as famílias americanas", disse Rogers por e-mail.
A inflação disparou para o maior nível em 40 anos durante o mandato de Biden e teve papel importante na vitória eleitoral de Trump em 2024.
A persistência da inflação, embora abaixo dos picos registrados durante a pandemia de covid-19, resultou em preços mais altos para itens cotidianos, como gasolina, carne moída e passagens aéreas, além de juros mais elevados. A taxa dos financiamentos imobiliários de 30 anos está agora em 7,5%, o dobro daquela a que os compradores de imóveis estavam acostumados apenas seis anos atrás.
Os entrevistados apontaram o custo de vida como uma das principais questões na decisão sobre como votar. Ao todo, 54% deles, incluindo 40% dos republicanos, disseram considerar que o custo de vida aumentou muito no último ano, em comparação com 30% que afirmaram ter subido apenas um pouco e 10% que disseram não ter havido mudança.
Cerca de 78% dos entrevistados,incluindo 64% dos republicanos e 76% dos independentes, afirmaram que a Casa Branca tem alguma responsabilidade pela alta dos preços, e a maioria dos americanos considera as tarifas de importação uma causa importante desse aumento. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa o palco após discursar em um comício na Butler High School, em Vandalia, Ohio, EUA, em 3 de outubro de 2026 REUTERS/Nathan Howard
Pouco impacto sobre os gastos O levantamento encontrou apenas sinais limitados de que as pessoas estejam reduzindo seus gastos. Cerca de 63% dos entrevistados disseram estar comendo fora de casa com menos frequência, e 56% afirmaram gastar menos com entretenimento ou serviços de streaming.
Percentuais menores disseram estar dirigindo menos ou atrasando o pagamento de contas.
Os dados econômicos mostram que, de modo geral, os americanos ainda registram ganhos modestos de renda, mesmo depois de considerados os impostos e a alta dos preços. Os salários por hora estão crescendo aproximadamente no mesmo ritmo do índice de preços ao consumidor, o que significa que boa parte de qualquer aumento salarial é consumida pela inflação. Essa sensação de estagnação pode deteriorar a percepção sobre a situação da economia.
Pesquisas de confiança do consumidor realizadas tanto pelo Conference Board quanto pelo Federal Reserve de Nova York refletem perspectivas pessimistas.
Algumas políticas de Trump ainda encontram respaldo: 45% dos entrevistados afirmaram que a imigração irregular é uma das causas fundamentais da alta dos preços, reproduzindo o argumento do governo de que pessoas que vivem ilegalmente no país geram demanda adicional por itens como moradia, elevando os custos.
Herman Sims, de 67 anos, de Dallas, vota no Partido Republicano desde 2012 e pretende continuar fazendo isso em uma disputa acirrada pelo Senado entre o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, e o democrata James Talarico, embora trabalhe para uma empresa de transporte rodoviário duramente atingida pelos preços elevados do diesel.
Embora tenha afirmado discordar da decisão de Trump de entrar em guerra contra o Irã, Sims disse que não votaria em um democrata.
"O que tenho visto no Partido Democrata é que eles se preocupam mais consigo mesmos e dizem qualquer coisa para você, mas o que realmente querem é gastar", afirmou. Adesivos de votação ficam sobre uma mesa em um local de votação no dia das eleições primárias, em Minneapolis, Minnesota, EUA, em 11 de agosto de 2026 REUTERS/Tim Evans
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