Maioria do PL, crescimento da direita e veteranos de fora: como será a nova composição da Alerj

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A nova bancada da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) manterá seu perfil conservador. O Partido Liberal (PL), que tem hoje 23 parlamentares, continuará com a maioria das cadeiras, apesar da perda de duas vagas, segundo projeções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado ocorre em um cenário no qual outras legendas de direita, como a frente entre o União Brasil e o Progressistas, com nove eleitos, mantêm os pés fincados na Casa. Isso vai garantir uma maioria afinada com o plano de governo de Douglas Ruas, que encerrou o primeiro turno na frente para governador do Rio. Já a sigla de Eduardo Paes, o outro candidato ao governo, conquistou nove vagas. Eleições 2026: Veja o mapa de apuração completo aqui Os cinco deputados estaduais mais votados foram Índia Armelau (PL), a campeã das urnas, com 248.504 votos, seguida por Márcio Canella (União), com 197.178; Renata Souza (PSOL), com 176.871; Dani Balbi (PCdoB), com 169.474; e Guilherme Delaroli (PL), com 166.374. Com exceção de Canella, todos já estavam na Alerj. — Posso dizer com muito orgulho que a pessoa mais votada do estado é uma mulher de direita, do PL, conservadora, armamentista, defensora do cidadão de bem e que permaneceu fiel à família Bolsonaro — afirmou Armelau. Por outro lado, veteranos como o deputado Carlos Minc (PSB), com dez mandatos consecutivos desde 1986, não conseguiram se reeleger. Outra baixa entre os velhos conhecidos foi Dionísio Lins (PP), que tentava seu sexto mandato. Um dos nomes mais votados da esquerda, Renata Souza admitiu que a Alerj será, de fato, mais conservadora: — O resultado foi uma derrota do campo progressista e da esquerda. A nova Alerj tende a ser mais bélica e retrógrada em relação às pautas. A esquerda vai ter que se organizar para enfrentar esse cenário. Projeção da nova Alerj após eleições 2026 Arte O Globo Eleito foi preso Quem também está de volta é o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, que chegou a ser pré-candidato ao Senado, mas desistiu após ser preso na Operação Unha e Carne, que mirou um esquema de lavagem de dinheiro em postos de gasolina. O deputado eleito nega qualquer envolvimento em crimes. — A maior resposta a essa acusação, o povo me deu nas urnas. Esse é o resultado de um grito de socorro da população da Baixada Fluminense que não aguenta mais o tráfico e a milícia. Como prefeito, atuei muito na remoção de barricadas — disse. A professora de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Política e Comunicação (LAPPCOM), Mayra Goulart, vê no resultado um fortalecimento do campo ideológico da direita: — O PL foi muito fortalecido para 2027 e mais associado à ideologia da extrema direita. Os demais partidos de direita, sem ser o PL, se tornando uma linha acessória do PL, pelo desempenho de Douglas Ruas ao governo do estado. Ela pondera, porém, que a força do PL no Rio não se resume à identificação ideológica com o bolsonarismo. A legenda também reúne políticos com bases territoriais e familiares consolidadas. A renovação do PL traz uma combinação de nomes já experientes na política e novatos que pegaram a onda bolsonarista. Entre as novas caras do partido estão Doutora Gabriela Azevedo, irmã do prefeito de Cabo Frio, Doutor Serginho. Tem ainda Anderson Moraes, aliado da família Bolsonaro desde a eleição de 2018, e Alexandre Isquierdo Malafaia, ex-vereador do Rio e ex-secretário de Cláudio Castro. Também chegam à Alerj pelo partido Nelsinho Ruas, irmão de Douglas Ruas; Rodrigo Medeiros, ex-prefeito de Tanguá; o coronel Menezes, ex-secretário estadual de Polícia Militar no governo Cláudio Castro; Poubel Filho, filho do atual líder do PL na Alerj, Felipe Poubel; Daniel Marques, primo da economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques; e Felipe Tropa, influenciador digital identificado com o campo conservador. Primeira-dama A presença de famílias de políticos também aparece em outras legendas. Uma novata é Fernanda Neves (PDT), mulher do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e Claudia Vasconcellos (PSD), casada com Leonardo Vasconcellos, prefeito de Teresópolis, que ficou como suplente. O PSD, uma das principais forças individuais da Casa, terá novos nomes, que trabalharam com o ex-prefeito Eduardo Paes. É o caso de João Pires, ex-secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor; de Cláudio Caiado, que ocupou a Secretaria municipal de Habitação; Joyce Trindade, vereadora do Rio e ex-secretária de Políticas para Mulheres e Cuidados; e Ana Paula Mendes, jornalista e ex-apresentadora da InterTV na Região dos Lagos.

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