A maior universidade do México abriu nesta terça-feira uma investigação sobre o vestibular deste ano, em meio a suspeitas de fraude com inteligência artificial (IA) no exame de admissão, que foi realizado on-line. O novo formato coincidiu com um alto rendimento na prova mais difícil do país. O reitor da prestigiada Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), Leonardo Lomelí, suspendeu o processo e instruiu uma comissão a revisar os resultados, à medida que aumentam as especulações sobre o uso de IA. Leia também: Ortega propõe ampliar mandato presidencial para sete anos na Nicarágua Mais de 50 anos depois: Ativista dada como morta pela ditadura chilena é encontrada viva na Argentina A prova foi aplicada com câmera e microfone ligados. Um monitor podia pedir ao candidato que girasse a câmera para mostrar o ambiente, confirmou uma jornalista da AFP, que fez a prova. "Consegui passar e admito que usei a IA", publicou um usuário anônimo no Facebook. "Estudante de medicina graças à IA", escreveu outro. A polêmica surgiu depois que o programador e especialista em IA Helios Ocaña examinou os resultados da prova aplicada entre maio e junho. Ele analisou o desempenho em três cursos, incluindo medicina, e detectou que a média de acertos triplicou. "Não podemos garantir que os candidatos colaram ou usaram IA", publicou Ocaña no X. "Fazer uma prova de casa implica menos ansiedade, menos estresse. Também é possível que a prova tenha mudado e já não seja tão difícil."
Grupos de estudantes protestaram ontem e hoje para exigir que os resultados contestados sejam respeitados. Outros candidatos, que não foram aprovados, querem que a prova seja reaplicada, presencialmente. "Têm que ver como essa fraude ocorreu (...) Se a empresa contratada para fazer a prova participou", pediu hoje a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
O Globo