Maior parte do urânio enriquecido do Irã está em Isfahan, atingida na guerra, diz chefe da agência nuclear
A maior parte do urânio altamente enriquecido do Irã provavelmente ainda está em seu complexo nuclear de Isfahan, que foi bombardeado por ataques aéreos no ano passado e enfrentou ataques também na guerra com os Estados Unidos e Israel deste ano.
A afirmação é de Rafael Grossi, chefe da agência nuclear da ONU, em entrevista à agência de notícias Associated Press.
Grossi disse que a Agência Internacional de Energia Atômica possui imagens de satélite que mostram os efeitos dos mais recentes ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel contra o Irã e que 'continuamos a receber informações'.
As inspeções da AIEA em Isfahan terminaram quando Israel, em junho passado, iniciou uma guerra de 12 dias que levou os Estados Unidos a bombardear três instalações nucleares iranianas.
O órgão de vigilância nuclear da ONU acredita que uma grande porcentagem do urânio altamente enriquecido do Irã 'estava armazenada lá em junho de 2025, quando a guerra de 12 dias começou, e permanece lá desde então', continuou.
'Não conseguimos inspecionar ou descartar a possibilidade de o material estar lá e de os lacres — os lacres da AIEA — permanecerem intactos', disse ele.
'Espero que possamos fazer isso, então o que digo que é a nossa melhor estimativa'.
Imagens de um satélite da Airbus mostram um caminhão carregado com 18 contêineres azuis entrando em um túnel no Centro de Tecnologia Nuclear de Isfahan em 9 de junho de 2025, pouco antes do início da Guerra Fria.
Especialistas acreditam que esses contêineres continham urânio altamente enriquecido e provavelmente ainda estejam por lá.
A AIEA também quer inspecionar as instalações nucleares do Irã em Natanz e Fordo, onde também existe algum material nuclear, acrescentou o diretor-geral da AIEA.
Trump afirma que Estados Unidos derrotaram 'militarmente' o Irã
Trump volta a ameaçar o Irã nas redes sociais e diz: 'chega de bancar o bonzinho'
Reprodução/Truth Social
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã e disse, em uma postagem nas redes sociais, que “chega de bancar o bonzinho”.
A declaração foi acompanhada de uma montagem feita em Inteligência Artificial em que o presidente aparece de óculos escuros, com um fuzil, em meio a explosões em um deserto.
Na publicação, Trump afirmou que o Irã “não consegue se organizar” e não sabe como fechar um acordo que não envolva a questão nuclear. A mensagem faz referência direta ao travamento nas negociações entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão.
Os dois lados continuam rejeitando propostas e discordando até sobre o formato das conversas - frente a frente ou por telefone.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o presidente americano está insatisfeito com a última proposta iraniana para encerrar a guerra.
O Irã sugeriu reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, em troca do fim do bloqueio naval dos Estados Unidos e do encerramento do conflito. Mas propôs prorrogar as discussões sobre o programa nuclear - considerado inaceitável por Washington.
Enquanto isso, cresce o risco de retomada dos ataques.
