Maior estudo sobre enjoo na gravidez revela seis novas ligações genéticas
A hiperêmese gravídica (HG), caracterizada pela forma mais grave das náuseas e vômitos durante a gravidez, afeta cerca de 2% das mulheres grávidas. Anteriormente, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, haviam descoberto uma associação direta entre náuseas e enjoo na gestação à expressão do gene GDF15, e nesta terça-feira (14), um estudo mostra seis novas ligações genéticas à HG.
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Considerado o maior estudo sobre a hiperêmese gravídica já realizado, contou com dados de 10.974 mulheres com a condição e 461.461 indivíduos do grupo de controle, de ascendência europeia, asiática, africana e latina. O trabalho foi publicado na revista científica Nature Genetics.
"Como este é o maior estudo sobre HG já realizado, conseguimos desvendar novos detalhes importantes que eram desconhecidos anteriormente. O fato de termos estudado mulheres de múltiplos grupos ancestrais sugere que esses resultados podem ser generalizáveis para uma ampla população", afirmou Marlena Fejzo, Ph.D., professora assistente no Centro de Epidemiologia Genética da Escola de Medicina Keck, e que liderou o presente estudo, em comunicado.
Os resultados mostraram 10 genes ligados à HG, sendo quatro deles já conhecidos, GDF15; GFRAL, que produz o receptor do hormônio GDF15; e IGFBP7 e PGR, ambos envolvidos no desenvolvimento da placenta, e seis novos: FSHB, TCF7L2, SLITRK1, SYN3, IGSF11 e CDH9.
O grupo de genes identificado com a nova pesquisa está relacionado a hormônios-chave da gravidez, apetite e náusea, insulina e metabolismo, como o cérebro aprende e se adapta, e certos resultados da gravidez.
A equipe destacou que o gene TCF7L2 se destaca por ser um dos fatores de risco genéticos mais fortes para o diabetes tipo 2 e também por estar associado ao diabetes gestacional. E também observaram que alguns genes ligados à hiperêmese gravídica (HG) estavam associados a outros desfechos da gravidez, incluindo menor duração da gestação, menor peso ao nascer e pré-eclâmpsia, uma condição grave de pressão alta.
"Agora que mais que dobramos o número de genes associados à hiperêmese gravídica (HG), podemos investigar mais a fundo a biologia por trás dessa condição, bem como novas possíveis vias para tratá-la", aponta Fejzo.
Atualmente, o principal medicamento utilizado no tratamento da HG é a ondansetrona, de nome comercial Zofran, que alivia os sintomas, mas apenas de forma parcial. Nesse sentido, a equipe recebeu aprovação para iniciar um ensaio clínico com metformina.
Segundo os pesquisadores, a ideia é testar se a ingestão de metformina antes da gravidez pode dessensibilizar as mulheres ao hormônio, potencialmente reduzindo náuseas e vômitos ou prevenindo a hiperêmese gravídica em mulheres que já a tiveram.
