Revelação no elenco de Quem Ama Cuida, a atriz carioca Mah Duarte, de 19 anos, está contente com a chance de interpretar Carol na primeira novela do horário nobre da TV Globo.
Entre o teste e a aprovação, ela teve um intervalo de apenas 12 dias, mas cercado de expectativa.
"O processo não foi muito longo, mas pareceu uma eternidade porque eu estava super ansiosa para receber o resultado", diz à Quem.
Antes da televisão, ela ficou conhecida na web com seus vídeos de POV (ponto de vista/perspectiva) no TikTok, rede social em que tem mais de 1,3 milhão de seguidores.
A prática acabou ajudando a driblar a timidez e a buscar um curso de teatro.
"As pessoas que acompanhavam meus vídeos começaram a me dar muita coragem.
Passei a enxergar que era possível.
Uma coisa é gravar sozinha no seu quarto, outra é estar numa sala de teatro, ao vivo, diante de outras pessoas", afirma a atriz, que conquistou as primeiras oportunidades na televisão nas tramas bíblicas Reis e A Vida de Jó, na Record, antes de brilhar em Quem Ama Cuida.
André (Henrique Barreira) e Carol (Mah Duarte) foram um casal em fase inicial da novela 'Quem Ama Cuida'
Beatriz Damy/TV Globo
Sobrinha-neta do ator Simon Khoury, de 90 anos, Mah conta que cresceu em contato com as artes.
"Meu tio chegou a fazer novelas na Globo, inclusive com o Tony Ramos e o Antônio Fagundes (ambos no elenco de Quem Ama Cuida).
Ele fica feliz e honrado de me ver, também com eles, na minha primeira novela na Globo", afirma a atriz, que é registrada como Maria Clara Duarte, e resolveu adotar o Mah Duarte como nome artístico.
"As minhas seguidoras me chamam de Mah ou de Madu.
Acho que isso cria uma conexão, um vínculo com as pessoas.
Sou de uma geração que tem muito essa comunicação mais dinâmica, mais rápida."
Quem: Como surgiu a chance de participar de Quem Ama Cuida? O processo de testes foi longo?
Mah Duarte: Fiz o cadastro na Globo e conheci alguns produtores e preparadores de elenco.
Uma delas gostou do meu material e decidiu me selecionar para participar dos testes de Quem Ama Cuida.
Fui para o teste super segura, confiante.
Foi uma experiência que eu consegui levar com muita tranquilidade.
O processo não foi muito longo, mas pareceu uma eternidade porque eu estava super ansiosa para receber o resultado.
Fiz só um teste, um monólogo, e uns 12 dias depois, a produtora me ligou avisando que eu tinha passado.
A ansiedade não acabou aí, porque o contrato só começava em janeiro.
Então, até o contrato chegar, na minha cabeça, eu pensava: "Ai, meu Deus...
Será que ainda vai acontecer mesmo?".
Foi um período de muita expectativa.
Mah Duarte
Guilherme Duarte
Quando deu seus primeiros passos como atriz?
Desde pequena, gosto muito de filmes, mas só fui investir, de fato, no teatro um pouquinho mais velha, aos 13 anos.
Naquela época, eu nem sabia que podia fazer disso a minha profissão, que dava para viver da arte.
Pouco antes, eu tinha começado a gravar vídeos de atuação para a internet, POVs.
E foi na pandemia que isso ganhou força.
Eu gravava ali, me divertia e não tinha muita noção da proporção que tudo aquilo estava tomando.
Já o teatro era completamente diferente.
Era uma pessoa extremamente tímida.
Queria muito estar ali, mas também precisava lidar com o meu emocional.
Foi muito difícil no começo.
Eu não conhecia ninguém, muitas das pessoas da turma eram mais velhas do que eu.
Então, eu ficava ainda mais constrangida de estar com eles.
E isso parecia até contradizer a desenvoltura que eu tinha nos vídeos.
Na internet eu conseguia me soltar.
No presencial, era como se eu tivesse que reaprender tudo.
E como se encorajou a continuar?
As pessoas que acompanhavam meus vídeos começaram a me dar muita coragem.
Elas me apoiavam, me incentivavam, acreditavam em mim e, aos poucos, eu também comecei a acreditar.
Passei a enxergar que era possível, que eu podia melhorar e que precisava me aperfeiçoar.
Uma coisa é gravar sozinha no seu quarto, outra é estar numa sala de teatro, ao vivo, diante de outras pessoas.
Esse passo foi difícil.
Depois das primeiras aulas, eu me apaixonei ainda mais pela profissão e entendi que teria que aprender a lidar com a minha timidez.
Foquei em me desenvolver como atriz.
Enquanto isso, continuava com meu conteúdo nas minhas redes.
A autora da primeira novela que fiz, assistiu a um vídeo meu e me chamou para fazer o teste.
Teve apoio familiar para a carreira?
Sempre tive muito apoio da minha família.
Os meus pais me apoiavam tanto para o sim quanto para o não.
Já quis ser veterinária, bailarina, artista plástica, modelo...
Qualquer coisa que eu escolhesse, eu tenho certeza de que eles me apoiariam do mesmo jeito.
Você tem profissionais do meio artístico na família?
Tenho, sim.
O meu tio-avô, Simon Khoury, era do teatro.
Chegou a fazer novelas na Globo, inclusive com o Tony Ramos e o Antônio Fagundes.
E ele sempre fala o quanto eles são queridos e o quanto ele fica feliz e honrado de eu ter feito a minha primeira novela na Globo também com eles.
Eu acho isso super legal.
Cresci ouvindo as histórias do meu tio sobre o teatro.
A arte sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida.
Adoro pintar também.
Minha família tem artistas plásticos, escultores e pintores.
Esse lado artístico passa de geração em geração.
Mah Duarte
Guilherme Lima
O meio artístico tem instabilidades.
Já pensou em um plano B?
Ah, sempre tem.
A minha sorte é que eu ainda sou jovem e moro com os meus pais, então não tenho todo esse peso e essa responsabilidade de ter que cuidar de uma casa, pagar luz, conta de água, gás...
O dinheiro que eu ganho consigo investir na minha própria carreira e em mim.
Muita gente não tem essa possibilidade, e aí acaba ficando mais difícil.
O início da carreira não é tão glamouroso.
A gente vai receber muitos "nãos" ao longo da vida.
Receber um "não" para uma coisa que você acreditava que era sua é horrível.
Você fica arrasado.
Quando reagiu ao saber que faria uma novela das 9, em um elenco com feras, contracenando diretamente com nomes experientes como Flávia Alessandra? Bateu o frio na barriga ou tentou fingir costume?
Assim que descobri que era o teste para novela das 9, comecei a pesquisar absolutamente tudo sobre a novela.
No teste, a gente não tem muita informação sobre a personagem.
Inclusive, eu achava que seria filha da Pilar, mas não tinha nada a ver.
(risos).
A história é muito intensa e a forma como ela é contada é de um jeito que eu acho espetacular.
Fiquei maluca quando entrei.
A primeira cena que eu gravei foi, inclusive, com o Antônio Fagundes e Tony Ramos.
Fiquei só observando aqueles gigantes e muito grata por estar podendo dividir o mesmo espaço que eles.
Estudei muito, me preparei muito pra entregar um trabalho à altura das expectativas das pessoas.
Nos bastidores, a gente acaba virando uma grande família, sabe? É um ano convivendo junto.
Dan Stulbach, Mariana Ximanes, Henrique Barreira e Mah Duarte interpretam Ademir, Dora, André e Carol em 'Quem Ama Cuida'
Beatriz Damy/TV Globo
Como foi a definição de Mah Duarte como nome artístico?
Meu nome é Maria Clara.
E adoro o meu nome, de verdade.
Só que, desde pequena, eu nunca tive um apelido ligado ao nome mesmo.
As pessoas sempre me chamavam de Maria.
E eu acho lindo também, apenas Maria.
Mas, quando pensei no meu nome artístico, eu queria trazer para as pessoas uma sensação de intimidade maior comigo.
Comecei a pensar em como transformar esse "Maria" em um nome mais curto e que, junto com o sobrenome Duarte, ficasse forte e diferente.
Até hoje, quase ninguém entende de primeira (risos), As pessoas acham que meu nome é Mar Duarte, Madu Arte...
acontece direto.
Mas eu acho engraçado, porque isso acaba criando uma sensação de proximidade, de contato maior com o meu público.
As minhas seguidoras me chamam de Mah ou de Madu.
Acho que isso cria uma conexão, um vínculo com as pessoas.
Sou de uma geração que tem muito essa comunicação mais dinâmica, mais rápida.
Então "Mah" também é um nome que fica fácil.
É fácil de lembrar, fácil de falar.
Quando não está envolvida com as gravações, como curte seu tempo livre?
Gosto muito de ficar em casa, vendo filme.
Também curto ir ao clube com a minha família.
A gente vai para fingir que pega um sol, o que a gente nunca consegue, né? Minha família inteira é composta por 'vampiros'.
Infelizmente, a gente tem uma dificuldade enorme de ficar no sol (risos).
Brinco que, até meu pai que é do mar, freediver, também fica mais embaixo d’água do que na areia, claro.
Ainda gosto muito de fazer girls night com as minhas amigas.
Vai para a casa de alguém, assiste a um filme, joga conversa fora, pede alguma coisa para comer...
Sou mais caseira mesmo.
Dificilmente, vou topar sair muito desses lugares, porque realmente sou meio chatinha (risos), no bom sentido.
Eu prefiro mesmo esse conforto.
Um pijaminha, um filme...
A gente já trabalha tanto, fica tão maluco nas gravações.
Quando tem um tempinho na vida, a gente precisa descansar também, né?
Mah Duarte
Guilherme Lima
Você tem apenas 19 anos.
Se tivesse que se imaginar aos 30, como gostaria de se ver profissionalmente?
Nossa, é muito louco pensar num salto tão grande assim, né? São 11 anos de diferença.
Eu, com 16 anos, não imaginaria que, aos 19, estaria onde eu estou hoje.
Aos 30 anos, eu espero muito estar feliz com os trabalhos.
Também espero ter conquistado mais maturidade.
Quero me sentir mais bem resolvida.
E na vida pessoal?
Espero que a minha família esteja bem e superado algumas inseguranças que tenho hoje, justamente por ser jovem.
Tenho um sonho muito grande de ser mãe.
Acho que 30 anos seria uma idade legal, se estiver mais organizada financeiramente.
A nossa profissão acaba exigindo muito.
Ela toma muito do nosso tempo, a gente vive dentro de set.
Odiaria ter que dividir essa atenção, principalmente no começo da formação dos meus filhos.
Se eu estiver bem, financeiramente falando, adoraria poder dedicar alguns anos à maternidade.
E confesso que tenho um sonho específico: ser mãe de menina (risos).
Adoraria um casal, mas sinto que vou ter uma menina primeiro.
Não sei por quê...
alguma coisa me diz isso.
Mah Duarte
Guilherme Lima
