'Magnata com segredos': imprensa internacional destaca operação contra Vorcaro e temor por possível delação

 

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A deflagração nesta quarta-feira da terceira fase da Operação Compliance Zero, que levou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de volta à prisão, foi destaque de reportagens da imprensa estrangeira. A ação trouxe à tona mensagens do dono do banco Master que sugerem sua proximidade com autoridades e a articulação com subordinados de atos fraudulentos e violentos.

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As investigações apuram se foram praticados os crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira e manipulação de mercado e lavagem de capitais. O jornal El País descreveu Vorcaro como um "magnata cujos segredos estão abalando a classe política brasileira". O veículo destacou que o ex-banqueiro já havia sido detido em novembro e solto depois com tornozeleira eletrônica, mas ressaltou a nova ordem prisional por risco de fuga e obstrução das investigações. O caso espalhou por Brasília o temor de uma delação, diz o El País.

"O caso Master é uma sombra pairando sobre grande parte da elite econômica e política do Brasil, dadas as suas enormes ramificações. O maior pesadelo agora é que Vorcaro, cada vez mais encurralado, decida revelar tudo e confessar o esquema aos investigadores em busca de clemência. Suas conexões alcançam partidos políticos de todas as matizes", escreveu.

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O jornal ainda reportou que, segundo a investigação, Vorcaro e seus associados de confiança teriam obtido acesso a sistemas restritos do Ministério Público, da Polícia Federal e até mesmo de agências internacionais, como o FBI e a Interpol.

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A rede France24, por sua vez, disse que o escândalo que ameaça "sacodir o poder na maior economia da América Latina" pela suspeita de vínculos de Vorcaro com figuras da política e da justiça do país, a sete meses das eleições gerais.

A agência Ansa destacou que os "laços [de Vorcaro] com poderosos podem abalar a República". O veículo italiano citou que a prisão do ex-banqueiro foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso após Dias Toffoli, cuja família foi sócia de pessoa ligada a Vorcaro.

A Ansa citou declarações de políticos da esquerda e da direita sobre o impacto da operação. "O efeito de sua eventual confissão ganharia um poder destrutivo ainda maior em um ano eleitoral", destacou.

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Já a agência Reuters destacou que investigadores apontaram "fortes indícios" de que Vorcaro tentou subornar um ex-diretor do Banco Central com presentes em troca de tratamento preferencial. O veículo acrescentou que a operação "arrastou a autoridade monetária brasileira para o centro de um escândalo crescente de bilhões de dólares" e pontuou a descoberta de mensagens em que o ex-banqueiro indica a intenção de "prejudicar violentamente" o colunista do GLOBO Lauro Jardim.

Já a agência Associated Press ressaltou que, na decisão de 48 páginas em que mandou prender Vorcaro, Mendonça citou indícios de crimes cometidos contra os sistemas financeiro e judiciário, além de participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, inclusive com "ações de intimidação para proteger os interesses" do seu núcleo.

Assim como os outros veículos de imprensa, a Bloomberg reportou a operação e deu destaque ao caso de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" de Vorcaro, um dos presos na operação. A PF diz que ele atentou contra a própria vida na cadeia. O Financial Times também repercutiu o tema e escreveu aos leitores que "o dono do banco falido foi preso pela segunda vez".