A Maersk formalizou a encomenda de 26 navios porta-contêineres de grande porte como parte de seu plano estratégico de modernização e transição energética da frota global, com entregas programadas entre 2029 e 2030.
As novas embarcações terão capacidade unitária de 18.600 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) e contarão com motores de combustível duplo, aptos a operar tanto com combustíveis marítimos tradicionais quanto com gás liquefeito.
A transação consolida uma inflexão na rota tecnológica da gigante do transporte marítimo.
Enquanto a Maersk vinha liderando a aposta na indústria pelo uso do metanol verde como principal vetor para redução de emissões, a inclusão do gás liquefeito reflete uma postura mais pragmática, ditada pela disponibilidade de infraestrutura portuária, gargalos na cadeia global de suprimento de metanol verde e a urgência de substituir gradualmente navios mais antigos por ativos operacionais de maior eficiência energética.
O movimento ocorre em um momento de profunda reconfiguração do comércio internacional e de endurecimento das exigências ambientais. A Organização Marítima Internacional (IMO) e a União Europeia, por meio do sistema de comércio de emissões (EU ETS) e da regulação FuelEU Maritime, têm elevado os custos regulatórios sobre embarcações poluentes, forçando armadores globais a acelerar encomendas de navios sustentáveis.
A Maersk busca blindar suas margens contra penalidades tarifárias e oferecer rotas descarbonizadas a clientes multinacionais de grande porte, enquanto equilibra a capacidade de transporte oceânico diante de volatilidades geopolíticas e pressões sazonais de demanda.
Maersk Bloomberg
Valor