'Mãe, tem um atirador': filho de sobrevivente de massacre escolar em 2001 estava em colégio que sofreu ataque recente nos EUA

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Michelle almoçava em um restaurante Olive Garden na última quinta-feira quando recebeu uma ligação do filho, aluno do quinto ano da Escola Primária Silver Rail, pelo Apple Watch. Do outro lado da linha, o menino deu um alerta que a fez reviver um trauma de mais de duas décadas: “Mãe, tem um atirador”. Sobrevivente de um ataque a tiros em uma escola na Califórnia, em 2001, ela pediu que o filho ficasse em silêncio, encerrou a chamada e tentou telefonar para o serviço de emergência.

Contexto: Disparos em escola nos EUA deixam ao menos quatro mortos, incluindo três crianças Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Em seguida, a mãe dirigiu até a escola, a cerca de dez minutos do restaurante, em Bend, no Oregon, nos Estados Unidos. O ataque deixou três crianças e uma professora mortas. O atirador, de 16 anos, foi morto por Kaylub Giamanco, de 36, pai de alunos que presenciou o início da ação e entrou armado no prédio. Outras duas pessoas, uma criança de 7 anos e uma professora de 54 anos, ficaram feridas e foram levadas a hospitais da região. A motivação do crime ainda é investigada. Michelle, que pediu para não ter o sobrenome divulgado por motivos de privacidade, convive desde o ataque na Califórnia com ansiedade, ataques de pânico e o hábito de observar as saídas dos ambientes. O episódio em Bend fez com que ela se perguntasse por que a mesma experiência traumática estava se repetindo na vida de sua família. — Eu pensava: como isso pode acontecer? — questionou Michelle ao relembrar o momento em entrevista à emissora CNN: — Como um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar? Para ela, o ataque representou a repetição de uma experiência que esperava que os filhos nunca precisassem enfrentar.

— Uma amiga me disse: este é um trauma geracional; esta é a segunda geração que passa pelo trauma de um ataque a tiros na escola. Como isso pode ser tão doentio? — disse. Ataque durou cerca de três minutos A polícia recebeu as primeiras ligações de emergência às 12h59 de quinta-feira. Um motorista de uma caminhonete vermelha relatou ter visto um homem se aproximar da Escola Primária Silver Rail, lançar um fuzil por cima da cerca e pular atrás da arma. Quando o motorista o confrontou, o adolescente abriu fogo contra o veículo, atingido pelo menos três vezes. O jovem entrou na escola e seguiu diretamente para uma sala de aula à esquerda da entrada, destinada a alunos com necessidades especiais. Segundo Mike Krantz, chefe de polícia de Bend, o adolescente disparou até 15 tiros. Às 13h01, as autoridades determinaram o confinamento de segurança na instituição, e alunos e professores precisaram permanecer protegidos dentro das salas. Giamanco, que tem filhos matriculados na escola, testemunhou o início do ataque. Ele foi até o estacionamento, entrou no prédio levando uma pistola calibre .40 que possuía legalmente e mantinha guardada com segurança e avançou em direção ao agressor. Uma professora que não ficou ferida também tentou impedir o ataque. Ela lançou o celular contra o adolescente e conseguiu derrubá-lo enquanto tentava desarmá-lo. Ao ver a luta entre os dois, Giamanco entrou na sala e disparou várias vezes contra o jovem, que morreu às 13h02, de acordo com a cronologia apresentada pelas autoridades. O episódio durou aproximadamente três minutos entre a primeira chamada de emergência e o desfecho informado pela polícia. Três crianças e uma professora morreram Entre as vítimas estão Rhoam Summer, de 5 anos, e outras duas crianças, de 8 e 11 anos. A professora Megan Lambert, de 25 anos, também morreu no ataque. Uma criança de 7 anos e uma professora de 54 anos ficaram feridas e foram encaminhadas a hospitais da região. A polícia encontrou perto do adolescente uma espingarda de ação por bombeamento calibre 12, modelo Maverick 88, além de aproximadamente 44 cartuchos. Uma autoridade da área de segurança pública informou à CNN que a arma havia sido comprada pela mãe do jovem. A professora do quinto ano Kathy Sheil Smith percebeu a aproximação do atirador pela janela da sala de aula. Ela avisou a secretaria e levou os estudantes para um canto do ambiente, onde ficaram escondidos. Em entrevista à KPTV, afiliada da CNN, Smith descreveu o medo das crianças e o esforço para mantê-las em silêncio. — Eles estavam com muito medo. Era muito difícil ver as expressões no rosto deles — relatou Smith.

Segundo a professora, alguns alunos rezavam, enquanto outros tentavam consolar os colegas sem fazer barulho para não chamar a atenção do agressor. — Tenho certeza de que todos os professores da escola pensaram: "Hoje é o dia em que vou morrer" — afirmou Smith ao descrever o que imaginou que os funcionários estivessem pensando durante o ataque.

Ela também resumiu sua prioridade naquele momento: "Salvem meus alunos". Um estudante de 9 anos contou à KGW, também afiliada da CNN, que se escondeu debaixo de uma pia durante cerca de 30 minutos. Ele relatou ter ouvido a diretora, identificada como Sra. Hawkins, repetir o alerta de confinamento enquanto os disparos continuavam. A escola contava com áreas de acesso controlado, verificação de documentos com foto e triagem de visitantes, câmeras de segurança internas e externas e fechaduras reforçadas nas salas de aula, que podiam ser trancadas por dentro. Parte dessas medidas havia sido aprimorada em 2022. Mesmo assim, o adolescente conseguiu entrar à força no edifício depois de disparar contra portas trancadas. Steven Cook, superintendente do distrito escolar, afirmou que ainda não estava claro como o agressor conseguiu superar as barreiras de segurança. Todas as escolas do distrito permaneceram fechadas na sexta-feira, inclusive para atividades e eventos esportivos. Mãe do atirador diz que não percebeu sinais de alerta Um mandado de busca foi executado na casa do adolescente na quinta-feira. Computadores e outros aparelhos eletrônicos foram apreendidos, e os investigadores obtiveram autorizações judiciais para acessar os dispositivos e extrair dados. A polícia local e o FBI analisarão o material para tentar esclarecer o que levou ao ataque. Segundo uma autoridade de segurança pública ouvida pela CNN, os pais do adolescente cooperaram com os investigadores e informaram que o filho havia estudado na Silver Rail. Durante a pandemia, a mãe do jovem conversou com a KTVZ, afiliada da CNN, sobre a expectativa de retomada das aulas presenciais para crianças com necessidades especiais. Na ocasião, o programa foi descrito como voltado a estudantes com “dificuldades intensas de comportamento e de habilidades sociais”. Na sexta-feira, a mulher conversou brevemente com a CNN, da varanda de casa, mas se recusou a comentar como o filho teve acesso à arma. Ela afirmou que não havia percebido sinais de alerta e, emocionada, disse: “Sinto falta do meu menino. Sinto muito”. Em uma mensagem dirigida às famílias das vítimas, acrescentou: "Sinto muito. Gostaria de ter podido fazer alguma coisa. Lamento pela perda de vocês". Pai que matou o atirador é chamado de herói Giamanco foi identificado pela família na sexta-feira. O presidente Donald Trump elogiou a atuação do pai de alunos, chamando-o de “um grande herói”. Trump também afirmou que Giamanco “fez o que precisava ser feito”. Ken Gray, ex-agente especial do FBI, avaliou que a intervenção pode ter impedido consequências ainda mais graves. “Se isso não tivesse acontecido, se o homem que testemunhou o ataque não tivesse neutralizado o atirador, o episódio poderia ter sido muito mais trágico do que foi”, afirmou.

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