Mãe em 'A nobreza do amor', Erika Januza reflete sobre a maternidade: 'Tenho 40 anos. Será que ainda terei filho?'
De rainha para rainha. Foi assim que Erika Januza percorreu sua trajetória no último ano. Ela deixou o posto de rainha de bateria da Viradouro em março de 2025 e, agora, assume uma nova função: ser a rainha de Batanga, o reino africano fictício de “A nobreza do amor”, nova novela das seis da Globo que estreia hoje. Na trama, ela interpreta Niara, mulher do rei Cayman II (Welket Bungué), que morre após Jendal (Lázaro Ramos) tomar o poder do reino. Viúva, ela foge para o Brasil com a filha, Alika (Duda Santos) e, em terras tupiniquins, passa a se chamar Vera, adotando novas culturas, sem esquecer suas raízes africanas.
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— Me surpreendi ao constatar que não temos referências da realeza da África, só das europeias. A gente entendeu que precisaria construir a nossa África, porque nós somos um grande pedaço daquele continente no Brasil. A nossa ancestralidade está aqui. A sociedade se desenvolveu com a ideia de que o negro é um subalterno, mas lá na África éramos reis e rainhas. A novela traz o resgate — avalia a atriz, de 40 anos, que teve aulas de luta e dança africana para a personagem.
Se hoje Erika tem consciência sobre sua ancestralidade, ela demorou a entender seu lugar no mundo.
— Meu letramento racial veio com o tempo, de dez anos para cá. Eu não tinha muita noção de que coisas pelas quais passei eram preconceito. Nem conversava com a minha família sobre essas situações. A minha profissão que me abriu os olhos — analisa.
Durante a novela, Niara/ Vera e a filha, Alika/ Lúcia não vão se desgrudar em suas descobertas no novo mundo. A dupla luta para retomar Batanga e conduzi-la a tempos de paz. A maternidade na ficção faz Erika se questionar :
— Ter uma filha na novela me faz pensar: “tenho 40 anos. Será que ainda serei mãe?” Percebo que é cada vez mais difícil, mas nada é impossível. Queria, mas não aconteceu. Não sofro. Mas cada dia que passa, esse desejo vai ficando mais distante.
Erika Januza vive um novo amor e comemora fase sem crises
Erika Januza e Arlindinho assumiram o namoro
Reprodução/Instagram
Não é só na novela que Erika se sente parte da realeza. Na vida, a atriz também é tratada como rainha pelo namorado, o sambista Arlindinho, de 34 anos.
— Não me sinto rainha só no carnaval, porque ali aquela realeza que vem e passa. Sou rainha quando faço um bom trabalho, quando faço algo legal por alguém, quando olho para minha casa que conquistei com o suor do meu trabalho, quando sou bem tratada pelo meu namorado... Antes não tinha isso. Eu aprendi a me amar mais e ter autoestima — afirma.
A atriz diz não ter passado pela famosa crise dos 40 anos:
— Comigo foi o contrário, na verdade. Tive transformações maravilhosas nessa fase da vida. Mudei de casa, meu relacionamento amoroso se transmutou... Eu terminei um e comecei outro. Deixei de ser rainha de bateria, que era uma coisa que eu gostava muito, mas, ao mesmo tempo, virei uma das apresentadoras do “Saia justa” (do GNT). Não tive crise negativa, mas sim uma virada de chave bem positiva.
Erika Januza manda recado para as leitoras do EXTRA
Niara (Erika Januza) em 'A nobreza do amor'
Estevam Avellar/ Rede Globo/ Divulgação
Erika relembra o vídeo que gravou para o EXTRA em 2020, quando se emocionou ao falar sobre o racismo que sofreu por causa do cabelo. Na ocasião, ela contou que alisava os fios no passado porque as pessoas falavam mal do seu crespo, e que aprendeu a amar as madeixas após cortá-las para um trabalho. Uma vez que serviu de referência para mulheres pretas nesse vídeo, a atriz também quer inspirar ao interpretar uma rainha africana negra na TV. Confira o recado otimista da atriz para as leitoras do EXTRA:
“Leitoras maravilhosas, cada dia subo um degrau de aprendizado na minha vida. Assim como toda mulher hoje que está construindo a sua autoestima, a sua liberdade, a sua trajetória e a sua individualidade. Cada dia parece que é muito difícil continuar na caminhada. E é, mas a gente, cada vez mais, está se mostrando capaz de vencer por nós mesmas. Temos o direito de querer ser mãe mais tarde ou de querer não ser mãe, de querer não casar, de querer ser solteira e feliz, de casar, de estudar. Exercer a liberdade é um direito que a gente está exercendo. Sofremos tanto com o feminicídio, vemos tantas notícias ruins... Cada vez mais as mulheres precisam se libertar, entender que não precisam de ninguém, de homem para nada. As mulheres pretas têm que ser corajosas. Eu acredito no amor”.
Veja o vídeo antigo de Erika Januza para o EXTRA:
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