Mãe diz que adolescente acusado de agredir Orelha 'se confundiu' em depoimento e explica por que pegou boné do filho

 

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A mãe do adolescente suspeito de agredir o cão Orelha, que morreu no mês passado, em Florianópolis (SC), quebrou o silêncio sobre o caso. A mulher negou que o jovem tenha praticado violência contra o animal e rechaçou a suspeita de que a família estaria planejando enviá-lo ao exterior. Por se tratar de uma investigação envolvendo menor de idade, os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

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A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a apreensão do passaporte do adolescente, para impedir que ele deixe o país. Com o término da investigação, concluída na última terça-feira, a polícia também pediu a internação provisória do menor de idade. A defesa nega as acusações.

Em entrevista à Record, neste domingo, a mãe do adolescente negou ter tentado esconder o boné do filho — a polícia apontou a identificação das roupas usadas pelo adolescente no dia do ataque, registradas nas imagens analisadas. Quando o jovem retornou ao Brasil, após passar um período no exterior, ele foi interceptado no aeroporto. Segundo a corporação, a mãe tentou esconder um boné rosa e um moletom que estavam com ele.

— Fomos levados a uma sala com sete autoridades. Ele continuava com o boné, e eu pedi que o retirasse por respeito às autoridades — afirmou ela, na entrevista.

Ainda conforme a investigação, a mãe tentou justificar que o moletom havia sido comprado durante a viagem, versão que teria sido desmentida pelo próprio adolescente, ao admitir que já possuía a peça antes do crime.

A polícia também destacou que o adolescente se contradisse durante o depoimento. O jovem afirmou que teria ficado dentro do condomínio no dia da agressão a Orelha, versão desmentida pelas imagens das câmeras de segurança da região.

— Um menino de 15 anos, depois de 30 dias, tem que fazer todo o passo a passo que ele fez. Ele simplesmente esqueceu e, inclusive, se confundiu — contestou a mãe.

De acordo com os laudos da Polícia Científica, Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, "que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa". Ele foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã. A PC afirma que ouviu 24 testemunhas e analisou mais de mil horas de filmagens na região, em 14 equipamentos que captaram imagens, para chegar ao autor do crime.

Também foi identificada como prova a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens. Além disso, um software francês obtido pela corporação analisou a localização do responsável durante o ataque fatal ao cachorro.

Com a conclusão das investigações, o inquérito foi encaminhado ao MP do estado, que argumentou ter identificado inconsistências e lacunas nos relatórios encaminhados, consideradas insuficientes para a completa reconstrução dos acontecimentos.

Tanto a 10ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela área da Infância e Juventude, quanto a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, da área criminal, concluíram pela necessidade de novos esclarecimentos. No âmbito da Infância e Juventude, a promotoria apontou falhas no Boletim de Ocorrência Circunstanciado relacionadas à apuração da possível participação de adolescentes em atos infracionais análogos a maus-tratos contra animais.

Na esfera criminal, o MPSC também apura a suposta prática de coação no curso do processo e ameaça envolvendo familiares dos adolescentes investigados e um porteiro de um condomínio da Praia Brava. Ao analisar o inquérito policial que trata da conduta de adultos, a 2ª Promotoria avaliou que a investigação precisa ser ampliada e detalhada, inclusive para confirmar se há ou não relação entre esses episódios e a agressão ao animal.

A decisão do MPSC de solicitar novas diligências ocorre em meio a questionamentos públicos sobre a condução da investigação policial. A PC reconheceu que uma imagem divulgada em vídeo sobre o caso tinha caráter “meramente ilustrativo”, o que gerou críticas da defesa do adolescente apontado como responsável e levantou dúvidas sobre a cronologia apresentada inicialmente.

As investigações envolvendo adolescentes tramitam sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda qualquer forma de identificação direta ou indireta dos envolvidos.