Mãe adotiva é condenada a 40 anos por manter irmãos em gaiolas e submetê-los à fome nos EUA
Dois irmãos, uma adolescente de 14 anos e outro de 13, foram mantidos por meses em gaiolas improvisadas dentro de casa e privados de alimentação adequada no estado do Texas, nos Estados Unidos. A responsável, Susan Rae Helton, de 53 anos, foi condenada a 40 anos de prisão por quatro acusações de lesão corporal grave contra criança, nesta semana.
De acordo com o Gabinete do Promotor Distrital Criminal do Condado de Comal, as vítimas estavam gravemente desnutridas após anos de abuso físico e negligência. Helton, que tinha oito filhos adotivos, obrigava os dois adolescentes a viver e dormir em cercados montados com portões de segurança para bebês, alegando que a medida era necessária para evitar que “roubassem comida”. Eles também eram punidos com espancamentos com cinto e submetidos a exercícios físicos excessivos.
Investigação e resgate
Em 2018, o Serviço de Proteção à Criança (CPS) acionou o Departamento de Polícia de New Braunfels (NBPD) após denúncias de abuso e negligência. Todas as crianças da residência foram entrevistadas. Segundo o promotor, duas vítimas relataram episódios recorrentes de fome e agressões quando tentavam obter alimento na cozinha. Outros irmãos confirmaram que, como punição, os adolescentes podiam permanecer confinados nas gaiolas por até duas ou três semanas.
Durante uma visita surpresa à casa, investigadores encontraram as estruturas descritas nos depoimentos. Confrontada, Helton admitiu ter mantido os jovens em cárcere privado, justificando que eles buscavam açúcar e comida sem autorização. Em tribunal, reconheceu ainda que utilizava o confinamento por conveniência, para poder descansar, segundo o jornal The Mirror.
Os irmãos apresentaram crescimento físico muito abaixo do esperado: ganharam apenas cerca de três quilos e cresceram pouco mais de sete centímetros ao longo de cinco anos sob os cuidados da ré. Após serem retirados da residência, ganharam mais de quatro quilos em menos de um mês com alimentação adequada. Ambos foram diagnosticados com desnutrição severa e atraso no desenvolvimento.
Em audiência, a adolescente afirmou que era obrigada a permanecer em pé dentro do cercado durante grande parte do dia, inclusive para estudar e fazer exercícios, e que também dormia e se alimentava no local, conforme noticiado pelo Law & Crime. Ela relatou sofrer pesadelos recorrentes em que é perseguida e aprisionada. O irmão descreveu a convivência como “difícil” e disse que tentava constantemente manter a si mesmo e à irmã vivos.
Helton foi sentenciada a 20 anos de prisão por cada uma das quatro acusações, com penas a serem cumpridas de forma que totalizam 40 anos. Ela deverá cumprir ao menos metade do tempo antes de ter direito a solicitar liberdade condicional.
Em nota, o gabinete do promotor afirmou que o caso é um “forte lembrete” de que a confiança depositada em responsáveis por crianças não pode ser violada e destacou a coragem das vítimas, hoje jovens adultas, que testemunharam no tribunal. Segundo a Promotoria, os depoimentos foram decisivos para a condenação.
