Macron diz que acordo de cessar-fogo deve incluir fim de ataques ao Líbano; Israel afirma que trégua não se aplica

 

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O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na manhã desta quarta-feira que os conflitos no Líbano entre tropas de Israel e do Hezbollah devem parar após o acordo de cessar-fogo celebrado entre os Estados Unidos e o Irã, aliados de Tel Aviv e do grupo armado, respectivamente. O governo de Israel, no entanto, afirma que a trégua não se aplica e mantem disparos contra pontos do sul do país e da capital libanesa, Beirute.

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Ainda pelo início da manhã, as Forças Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês) realizaram bombardeios contra a região de Tiro, no sul do Líbano. Segundo a mídia estatal libanesa, também foram registrados ataques contra pontos de Beirute. O Hezbollah não reivindicou nenhum novo ataque contra Israel desde a 01h00, horário local, momento em que o cessar-fogo passou a valer.

Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que apoia a iniciativa americana de interromper as tensões com as forças iranianas, mas condicionou sua adesão a medidas imediatas por parte de Teerã. “Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, desde que o Irã abra imediatamente o estreito e cesse todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”, afirmou a nota. O texto reforça ainda que “o cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”.

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A manifestação marca o primeiro posicionamento oficial de Netanyahu desde o anúncio da trégua. A posição israelense contraria o entendimento de mediadores como Paquistão e Egito, além da França, que sustentam que o acordo deveria abranger também o conflito envolvendo o Líbano.

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O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, chegou a afirmar que o país fazia parte do entendimento, enquanto o presidente americano, Donald Trump, não mencionou o território libanês em sua declaração.

Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun expressou esperança de que o cessar-fogo represente um avanço diplomático mais amplo. Segundo ele, o acordo pode ser um “primeiro passo” rumo a soluções definitivas para as crises regionais. Em comunicado, Aoun afirmou que o governo trabalha para garantir que “a paz regional inclua o Líbano de maneira sustentável, com base nos princípios acordados pelo povo libanês”.

O líder também defendeu a retirada das forças israelenses do território libanês e o desarmamento de grupos não estatais, incluindo o Hezbollah. “A soberania completa do Estado sobre todo o seu território, sua libertação de qualquer presença ocupante e o direito exclusivo de declarar guerra e paz e de usar a força legítima devem estar apenas nas mãos de suas instituições constitucionais”, declarou.

Macron defende fim de tensões no Líbano

O presidente francês Emmanuel Macron reforçou a necessidade de inclusão do Líbano no cessar-fogo. Classificando a trégua como “uma coisa muito boa”, ele alertou que a medida precisa se estender para conter a escalada no Oriente Médio. “A situação é crítica” no Líbano, afirmou, acrescentando que “o que testemunhamos com os ataques de Israel e a ocupação do sul do Líbano não é a resposta correta”.

Israel tem intensificado ataques no território libanês desde um ataque realizado em março pelo Hezbollah, grupo aliado do Irã. Segundo autoridades libanesas, mais de 1.500 pessoas já morreram na ofensiva.

Macron, cujo país mantém laços históricos com o Líbano, tem condenado reiteradamente as ações militares israelenses e pressionado por negociações diretas entre os dois países. A França também acusou forças israelenses de tentar “intimidar” militares franceses que participam de uma missão de paz da ONU na região.

Apesar das pressões diplomáticas, permanece incerto se o cessar-fogo negociado com mediação do Paquistão será ampliado para incluir o Líbano, diante da rejeição explícita do governo israelense. Enquanto isso, o Irã anunciou que iniciará negociações com os Estados Unidos na sexta-feira (10), em Islamabad.