M. Dias Branco compra 80% da Grespan e mira novas aquisições

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Fonte da notícia: Valor Valor

A M. Dias Branco quer liderar a consolidação do mercado brasileiro de pães congelados, com novas fábricas e aquisições. A compra de 80% da Grespan, anunciada nesta sexta-feira (16), marca a entrada da fabricante de massas e biscoitos no segmento.

“Estamos entrando para liderar esse processo de consolidação”, disse Gustavo Theodozio, vice-presidente de investimentos, controladoria e relações com investidores da companhia, em entrevista ao Valor. “Com certeza, vão vir outros passos. Esse é só o primeiro”, afirmou o executivo. Segundo ele, a expansão poderá ocorrer tanto pela construção de novas unidades industriais quanto pela compra de outras empresas do setor. Fundada em 2009, em Marília (SP), a Grespan teve receita bruta de R$ 138,7 milhões em 2025 e atende a mais de 1.100 clientes, principalmente supermercados, atacarejos e padarias do Sudeste. O portfólio reúne mais de 60 produtos, e o modelo de negócio inclui o fornecimento de pães congelados, equipamentos e suporte técnico aos clientes. O valor da operação não foi divulgado. A conclusão depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e a M. Dias Branco espera concluir o negócio ainda em 2026. A aquisição amplia a atuação da companhia na cadeia do trigo. Dona de sete moinhos, a M. Dias Branco produz farinha que abastece padarias e supermercados, parte dos quais fabrica o próprio pão. Com a Grespan, passará a fornecer pães congelados prontos para serem assados nos estabelecimentos, além de outros produtos de panificação. “A empresa compra o trigo, faz a moagem e vende a farinha. Agora, vamos agregar valor à essa etapa da cadeia”, disse Theodozio. Segundo ele, a companhia poderá aproveitar a matéria-prima produzida nos próprios moinhos e o relacionamento comercial que já mantém com grandes redes varejistas. A mudança também deve contribuir para a rentabilidade. De acordo com o executivo, a margem do negócio adquirido é superior à da farinha de trigo, semelhante à do macarrão e acima da margem média da M. Dias Branco. A companhia vê oportunidade de crescimento na mudança do modelo de operação das grandes redes varejistas. Para Theodozio, supermercados têm reduzido a produção própria de pães, que exige padeiros trabalhando de madrugada e dificulta a manutenção de um padrão uniforme de qualidade. Falta de mão de obra “Com a escassez de mão de obra no Brasil, está ficando cada vez mais complicado encontrar esse tipo de profissional”, afirmou. Segundo ele, o pão congelado industrial facilita a operação das lojas e mantém o padrão de qualidade.

A M. Dias Branco pretende aproveitar o relacionamento comercial que já mantém com grandes redes, como Atacadão e Assaí, para ampliar a distribuição dos produtos. A operação da Grespan inclui também a instalação de fornos e freezers nos clientes e suporte técnico, de acordo com Fábio Cefaly, diretor de relações com investidores e novos negócios da companhia. O mercado brasileiro de panificação faturou R$ 164,12 bilhões em 2025, segundo levantamento do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação (Ideal). Apesar do crescimento, o setor enfrenta dificuldades para contratar profissionais. De acordo com o levantamento, houve redução de cerca de 92 mil empregos no ano, queda de 8,52%. Os dados também indicam uma mudança na composição das receitas das padarias. A participação da produção própria caiu de 70,66% do faturamento, em 2020, para 68,12%, em 2025. No sentido oposto, a revenda de produtos de terceiros passou de 29,34% para 31,88% no período, movimento que favorece fornecedores de alimentos prontos ou semiprontos. O crescimento do faturamento do setor, porém, desacelerou. A alta foi de 6,8% em 2025, ante 10,92% em 2024. No ano passado, o número de clientes nas padarias avançou 1,27%, enquanto o tíquete médio aumentou 5,46%, segundo o Ideal.

Já nos supermercados, as vendas de pão francês seguem em alta, segundo levantamento da Scanntech, empresa que monitora as vendas do varejo alimentar a partir dos caixas das lojas, feito a pedido do Valor. De janeiro a setembro de 2026, o faturamento com o produto cresceu 9,8% e o volume vendido, 4%, em relação ao mesmo período do ano passado. Expansão começa por SP A expansão da M. Dias Branco começará por São Paulo, principal mercado consumidor do país, e deverá chegar ao Nordeste em uma etapa posterior. “A empresa começou no Nordeste. Agora a gente está fazendo o inverso: vamos começar por onde está o mercado consumidor”, disse Theodozio. A Grespan ainda dispõe de capacidade ociosa em suas máquinas, mas a companhia avalia investimentos em terrenos e equipamentos mais automatizados para sustentar o crescimento. “As máquinas ainda têm capacidade para expansão”, afirmou o executivo.

Ele não informou os valores previstos nem a contribuição esperada da operação para a receita de 2027, cuja projeção ainda está em discussão no orçamento da companhia. Os fundadores da Grespan permanecerão no negócio com uma participação de 20% por pelo menos cinco anos. A manutenção dos sócios na operação busca garantir à compradora o conhecimento necessário para expandir a atividade para outras regiões do país. “Como é um negócio que a gente não conhece, é muito importante começar a fazer esse trabalho de expansão para o Brasil inteiro com quem domina o setor”, disse Theodozio. Mas, de acordo com o executivo, ainda não foi definida a destinação da participação restante após esse período. A M. Dias Branco estuda entrar no mercado de panificação desde 2020, mas optou por priorizar outras frentes de expansão nos últimos anos. Entre elas, estão a aquisição da Jasmine, marca de alimentos saudáveis, e a entrada no Uruguai, como parte da estratégia de internacionalização. “A gente achou que fazer tudo ao mesmo tempo naquele momento ia trazer muita complexidade”, afirmou o executivo. A aquisição foi anunciada no Dia Mundial do Pão, nesta sexta-feira (16), dois dias antes de a companhia completar 20 anos de abertura de capital.

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