Lyria 3: conheça IA do Google que cria músicas e saiba se há riscos no uso
A nova ferramenta de inteligência artificial integrada ao aplicativo Gemini Google, Lyria 3, é um modelo de criação musical. A novidade, anunciada pelo Google nesta última quarta-feira (18), está em fase beta e busca popularizar a produção criativa, permitindo a geração de faixas sonoras de até 30 segundos a partir de comandos de textos e anexos de imagens e vídeos. Com isso, é possível ajustar instrumentais, gênero, tempo, vocais e letras, sem a necessidade de um conhecimento prévio no campo da música. Mas, é importante ressaltar que o uso do Lyria 3 não substitui a produção musical humana.
Além disso, especialistas alertam para limites técnicos e riscos jurídicos. A reportagem ouviu Fabrício Carraro, Program Manager na Alura, que detalha os diferenciais tecnológicos e os guardrails do modelo, e a advogada Karina Franco, que explica possíveis implicações com base na Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98), no Código Civil e na LGPD, além de orientar criadores e empresas sobre cuidados antes de qualquer uso comercial. Confira, a seguir, as principais informações e cuidados a se ter na plataforma.
🔎 IA sob efeito de 'drogas digitais'? Conheça o mercado que cresce online
Lyria 3: conheça IA do Google que cria músicas e saiba se há riscos no uso
Distribuição: Google
📝 Novo algoritmo do Instagram altera a ordem de seguidores? Tire suas dúvidas no Fórum do TechTudo
1. O que é o Lyria 3?
O Lyria 3 é a evolução dos modelos de geração musical do Google DeepMind associados ao Google Gemini — agora capaz de criar trilhas completas de até 30 segundos. Fácil de utilizar, intuitiva, é uma ferramenta multimodal, ou seja, para iniciar a criação, é apenas necessário digitar um prompt descrevendo gênero, humor, tema ou até enviar imagem e vídeo que direcione a composição musical desejada. A partir disso, o modelo traduz todos os comandos em uma música com letra e vocal.
Após a produção das faixas sonoras, o Nano Banana, outra IA integrada ao Gemini, produz uma arte de capa personalizada, com expressão criativa ou de forma lúdica. Cada peça é desenvolvida para histórias, momentos pessoais ou até mesmo conteúdo social das trilhas.
Além disso, cada composição musical recebe uma marca d’água imperceptível (SynthID), que identifica que foi criada por IA. A medida é uma ação de transparência do Google.
2. Disponibilidade e contexto de uso
O modelo de criação musical está liberado globalmente para usuários maiores de 18 anos diretamente no aplicativo do Google Gemini. Com acesso básico gratuito, está disponível em idiomas como inglês, português, espanhol, francês, alemão, hindi, japonês e coreano.
Entretanto, a sua versão gratuita possui limites de uso, sendo que os planos pagos da Google (AI Plus, Pro e Ultra) entregam os limites maiores da geração.
Vale ressaltar que o Lyria 3 é uma ferramenta de criação pessoal e social e não substituto para produção musical profissional.
3. Aspectos tecnológicos
Para aprofundar os conhecimentos tecnológicos sobre as funcionalidades do Lyria 3, entrevistamos o Fabrício Carraro, Program Manager da Alura e especialista em inteligência artificial. Segundo o profissional, o diferencial do modelo de criação musical é a sua integração ao ecossistema do Gemini, em que a produção ocorre diretamente de uma conversa dentro da plataforma. Outro ponto de destaque levantado foi o seu potencial de compartilhamento, em que o Nana Banana Pro atua criando uma arte de capa.
Carraro falou sobre os aspectos criativos do Lyria 3: “Se você pedir algo no estilo de um cantor famoso, a IA focará em capturar a atmosfera, o clima e o gênero musical daquela referência apenas, mas sem ser uma cópia”, disse o especialista em IA. Ele reforça que o modelo possui guardrails, ou seja, filtros de segurança rigorosos, que impedem a cópia de produções musicais de artistas com direitos autorais ou deepfakes de artistas reais.
O especialista em IA também falou sobre as limitações atuais da plataforma, reforçando que é essencial que o usuário veja se sua necessidade está de acordo: “O usuário deve sempre revisar se o resultado de 30 segundos atinge a visão criativa desejada. O próprio DeepMind é transparente sobre isso em sua documentação, indicando que o modelo ainda está em evolução”, comentou Carraro.
4. Aspectos legais
Para compreender melhor as questões legais envolvendo o uso do Lyria 3, também conversamos com a Karina Franco, advogada especialista em Direito do Consumidor e Direito Digital da Serrão & Franco Assessoria Jurídica. Em entrevista, a profissional afirma que é possível utilizar as composições musicais criadas pela plataforma comercialmente, porém, há riscos jurídicos associados aos resultados. Mesmo os trechos sendo curtos, com apenas 30 segundos, há riscos de violação de direitos autorais.
Nesse sentido, ela chama atenção para os seguintes pontos jurídicos: “Na parte autoral, por exemplo, mesmo que a música pareça inédita, pode haver questionamentos se ela reproduz elementos de obras já existentes, como melodias, arranjos ou estilos marcantes. Isso pode levar a discussões sobre plágio ou obra derivada sem autorização, com base na Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98)”, disse Franco.
A especialista em Direito Digital também destaca que a legislação brasileira protege apenas as obras musicais com contribuição humana. A partir disso, há inseguranças para quem busca explorar comercialmente as trilhas criadas pelo Lyria 3, em relação a garantir a sua exclusividade em disputas futuras.
Franco aponta para outros riscos jurídicos, como o de personalidade jurídica e proteção de dados: “Se a IA reproduz voz, estilo ou identidade artística reconhecível, pode haver violação de imagem, com possibilidade de indenização (Código Civil, arts. 11 a 21, 186 e 927). É importante também considerar a proteção de dados, afinal, se houver uso de voz identificável ou outros dados pessoais, pode haver incidência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”, explicou a especialista.
Para os criadores musicais, a recomendação é que as composições geradas por IA sejam vistas como parte do processo criativo, envolvendo revisões, edições e validações antes de qualquer uso, principalmente o comercial. É essencial que haja uma checagem de similaridade, com profissionais de música ou pesquisas em plataformas, além de evitar comandos que façam referência a artistas reais ou estilos facilmente identificáveis.
Outra orientação da advogada especialista em Direito Digital é documentar o processo criativo: “Guardar prompts, versões, projetos de edição e decisões criativas ajuda a demonstrar contribuição humana e boa-fé. O ideal é formalizar em contratos sempre que houver participação humana relevante, como letra, arranjo ou produção”, afirmou Franco.
Em relação às empresas, a indicação é estruturar a governança. Dessa forma, é fundamental elaborar políticas internas de uso de IA, definir o que é permitido ou não, criar checklists de riscos e envolver o setor jurídico nas campanhas relevantes. Quanto aos fornecedores, Franco afirma: “É recomendável prever cláusulas específicas sobre IA, como declaração de originalidade, obrigação de manter registros e regras de substituição de conteúdo em caso de contestação”, explica a Advogada.
5. Por que isso importa agora?
A integração de música generativa em um assistente de IA, mainstream como o Google Gemini, representa uma nova fronteira na produção cultural digital. É a democratização do acesso à criação musical, especialmente para usuários sem treinamento formal na área musical.
Porém, ao mesmo tempo, levanta debates sobre autoria artística, direitos de uso e modelos de negócios associados à música gerada por algoritmos. As plataformas digitais, como o YouTube e as redes sociais, podem ver um aumento de conteúdo com trilhas sonoras personalizadas, incentivando novas formas de expressão e interação digital.
Com informações do Google Gemini e Lyria 3
TROQUEI o SPOTIFY pelo YOUTUBE PREMIUM! Vale a pena? Veja o comparativo!
