Lyon é processado em R$ 330 milhões por dívida ligada a Igor Jesus, ex-Botafogo; entenda

 

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O Olympique Lyonnais enfrenta um processo de cerca de R$ 330,8 milhões relacionado à transferência do atacante brasileiro Igor Jesus, em um novo capítulo de pressão sobre as finanças e o modelo de gestão do clube francês.

A ação foi movida em Londres por um fundo ligado à gestora de crédito privada MC Credit Partners. O processo cobra aproximadamente R$ 225 milhões em dívida principal, além de cerca de R$ 34 milhões em multas por inadimplência e juros acumulados com taxa considerada elevada.

O caso envolve uma operação entre o Lyon e o Botafogo — ambos pertencentes ao grupo Eagle Football Holdings, do empresário americano John Textor. O clube francês teria deixado de pagar a primeira parcela do acordo de transferência, prevista para novembro do ano passado, o que desencadeou a disputa judicial.

Segundo documentos do processo, o acordo original, firmado em outubro de 2024, previa a transferência de Igor Jesus por 35 milhões de euros (cerca de R$ 190 milhões, na cotação atual), divididos em duas parcelas. O pagamento inicial, que deveria ter sido feito poucos dias após a assinatura, não foi realizado.

Posteriormente, o Botafogo buscou antecipar os valores por meio de um fundo de crédito, transferindo o direito de recebimento da dívida. Em dezembro de 2024, o contrato foi reestruturado, com o Lyon assumindo o compromisso de pagar o equivalente a R$ 222 milhões em três parcelas anuais até 2027.

No entanto, a inadimplência na primeira parcela levou o fundo a acionar a Justiça para cobrar o valor integral da operação. De acordo com a ação, o clube francês não regularizou a pendência nem dentro do prazo de 30 dias após o vencimento.

O episódio expõe as fragilidades do modelo de multipropriedade no futebol, em que grupos controlam diferentes clubes e negociam jogadores internamente. Nesse contexto, ativos como atletas e direitos de transferência são frequentemente utilizados como garantia em operações financeiras.

Especialistas apontam que casos como o do Lyon podem gerar cautela no mercado de crédito esportivo, especialmente diante do aumento de operações que envolvem antecipação de receitas futuras.

A situação também lança luz sobre o momento delicado do clube francês, que recentemente esteve sob risco de rebaixamento administrativo devido a perdas financeiras e alto endividamento. Em meio à crise, a empresária Michele Kang assumiu a presidência do Lyon no ano passado, substituindo Textor.

Procurados, representantes do Lyon, de Textor e do fundo envolvido não comentaram o caso.