Álvaro Siviero celebra a obra de Chopin em recital no Theatro da Paz, em Belém - QTU Questões do Universo

Álvaro Siviero celebra a obra de Chopin em recital no Theatro da Paz, em Belém

Fonte: Bandeira da fonte

"Chopin é único!".
Quando o pianista paulistano Álvaro Siviero, com centenas de apresentações pelo mundo, faz essa colocação acerca do legado de Frédéric Chopin (1810-1849), compositor polonês do período romântico, ele sabe o que diz.
Melhor, Siviero vai mostrar no palco do Theatro da Paz, neste sábado (29), às 19h30, por que o legado musical desse artista é imorredouro, mediante a execução de nove músicas, contando com a elegância e a acústica singular dessa casa centenária de espetáculos.
O espetáculo é uma realização da Porte Engenharia, e os ingressos estão esgotados.

Álvaro Siviero adianta como vai ser essa apresentação: "A música de Chopin está absolutamente inserida no período romântico, romantismo.
O aspecto polaco-francês traz para a obra dele uma peculiaridade e uma característica que são únicas.
Diferentemente do romantismo germânico que a gente encontra, por exemplo, em Beethoven, que é um romantismo mais granítico, mais pesado, baseado em acordes, em gravidade, força da gravidade, praticamente, a obra de Chopin é totalmente diferenciada.
É a linha melódica que canta.
A obra de Chopin é um canto.
Nós, pianistas, temos que transformar os nossos dedos em cordas vocais".

Tocar Chopin sempre é um momento especial para Siviero.
Álvaro começou a estudar piano com 3 para 4 anos de idade, mas, após concluir o curso, resolveu empreender outra carreira profissional, migrando, então, para a Física na Universidade de São Paulo.
Trabalhou com a Física por muitos anos, até tomar a decisão de voltar ao piano, há cerca de 20 anos.
E não parou mais, apresentando-se com orquestra, em recitais e em música de câmara.

"Eu acredito que a minha relação com o piano não foi uma busca minha por ele, mas foi uma busca da música pela minha pessoa, porque houve várias oportunidades de eu me dedicar profissionalmente à música.
Jovem ainda, recebi uma bolsa de estudos para Paris, depois recebi uma outra bolsa de estudos para Alemanha.
Fui negando todas essas oportunidades, mas, aí, na terceira, na quarta investida da música sobre a minha pessoa, eu disse: 'Por que não me dedicar à música?' ". 

Apaixonado pelo instrumento musical, Siviero diz que "o piano tem uma característica muito especial, porque ele é um instrumento que pode fazer a melodia das obras, pode fazer o acompanhamento; ele tem dimensões sinfônicas".
"O piano é um instrumento que traz para todos os instrumentos uma razão de ser.
Ele incorpora, ele preenche, ele satisfaz auditivamente aqueles que estão buscando uma música que tenha o agudo e o grave, que tenha a delicadeza, a suavidade que a linha melódica pede, mas ao mesmo tempo a postura colossal de ataques, de grande envergadura.
Então o piano, ele tem esse a mais em relação a todos os outros instrumentos, sem contar o tamanho dele.
Quando o piano entra no palco, inclusive os músicos têm que sair, as cadeiras têm que ser afastadas, porque o piano está entrando", assinala Siviero, bem-humorado.

Assim, nesse clima de alta vibração musical, o recital de Álvaro Siviero "O" recebeu o título de "Um Encontro com Chopin".
"Porque, neste momento de apresentação musical, o que eu quero, na medida do possível, é fazer com que as pessoas se encontrem não só com o compositor, mas com a pessoa que está por trás do compositor.
E Chopin foi o músico que melhor entendeu as possibilidades do piano.
Todas as obras de Chopin foram escritas para piano.
Todas as obras de Chopin incluem o piano como elemento principal.
Não há uma obra de Chopin escrita que não haja o piano.
E é por isso que, para nós, pianistas, Chopin é uma paragem obrigatória.
É uma paragem obrigatória.
Então, poder dedicar uma noite musical a promover, a estimular esse encontro com esse gênio polonês é o meu motivo de enorme alegria", afirma Álvaro Siviero.

O concerto resulta do fato de que, há poucos meses, Álvaro fez uma apresentação em São Paulo dedicada à obra de Chopin.
O sucesso foi tanto que ele recebeu a sugestão de sair pelo Brasil executando peças musicais desse compositor.
Álvaro lembra que Frédéric Chopin é conhecido como o "Poeta do Piano", com um lirismo, uma pegada musical única.
Esse compositor tem "dentro da alma dele a elegância francesa, que veio da origem paterna, e o coração pujante do lado materno".
"A música de Chopin alia o refinamento e a erupção vulcânica do lirismo romântico.
Chopin é único", arremata Álvaro.
O pianista espera que o recital consiga auxiliar as pessoas a sintonizarem o coração com a razão, a entrarem em outra vibração, sintonia, deixar de lado querelas do dia a dia e ganharem um sentido transformador a partir da música de Chopin.

O programa do recital reúne: Balada n.1 em sol menor, Op.23; Polonaise Op.40 n.1 em lá maior “Militar”; Estudo Op.10 n.3 em mi maior “Tristesse”; Fantaisie-Impromptu em dó sustenido menor, Op.66; Grande Valsa Brilhante Op.18 em mi bemol maior; Noturno Op.9 n.2 em mi bemol maior; Scherzo n.2 Op.31 em si bemol menor; Sonata n.2 para piano em si bemol menor, Op.35
I.
Grave, II.
Scherzo, III.
Marche Funèbre e IV.
Finale; Polonaise Op.53 em lá bemol maior “Heróica”.