Luxo e tradição: Conheça fábrica britânica que produz carros da década de 1930 nos dias atuais; imagens

 

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Em uma paisagem marcada por portas rangentes, prateleiras repletas de peças antigas e plantas técnicas preservadas há quase um século, a fabricante britânica Alvis segue produzindo automóveis inspirados diretamente nos supercarros dos anos 1930. Encerrada oficialmente em 1968, a produção de carros de passeio da marca sobreviveu graças a um consórcio de ex-funcionários e, hoje, a empresa atua como referência mundial na manutenção, restauração e construção de modelos clássicos fiéis aos projetos originais.

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Imagem do showroom da montadora britânica Avis

Reprodução: Facebook / @aviscarcompany

Instalada no coração do antigo polo automobilístico do centro-oeste da Inglaterra, a Alvis foi pioneira em tecnologias que se tornaram padrão na indústria, como câmbio com sincronização, tração dianteira e suspensão independente nas rodas dianteiras. Chegou, inclusive, a competir com um carro de Grande Prêmio de tração dianteira ainda nos anos 1920.

“Naquela época, não existiam colecionadores de carros como hoje”, afirma Alan Stote, proprietário da empresa há mais de 30 anos, para a revista britânica Autocar. “Se você tinha um carro antigo, ou era pobre ou excêntrico — esses eram os dois critérios. A Alvis nunca imaginou que sua divisão de automóveis de passeio precisaria durar mais do que 10 anos.”

O acervo da fábrica impressiona. Além de milhares de peças originais, todas as plantas técnicas e registros de propriedade dos veículos foram preservados. Quem compra hoje um Alvis no mercado de clássicos pode ter acesso a um dossiê completo do carro. “Os clientes dizem: ‘Acabei de comprar este Alvis’, trazem o carro até nós, e entregamos um relatório completo da história do veículo desde quando era novo”, conta Stote. Entre os documentos guardados está, por exemplo, a correspondência original do príncipe Philip com a fábrica.

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Para quem dispõe de cerca de 325 mil libras esterlinas (o equivalente a R$ 2,3 milhões), é possível encomendar um Alvis totalmente novo, construído a partir dos projetos originais. O comprador pode escolher entre cerca de meia dúzia de carrocerias e motores de seis cilindros de 3.0 ou 4.3 litros, fabricados segundo especificações históricas, mas adaptados com tecnologia atual — incluindo um câmbio moderno Tremec — para atender às normas ambientais contemporâneas.

Avis Lancefield, modelo da montadora britânica 'retrô'

Reprodução: Facebook / @aviscarcompany

Há duas opções: um carro novo, registrado como modelo de continuação, ou a restauração completa de um chassi original, que permite manter a placa histórica. Em ambos os casos, o processo pode levar até 5 mil horas de trabalho, com a maioria das peças produzidas ou obtidas localmente. “Estamos no coração da indústria automotiva do Reino Unido, afinal”, lembra Stote.

“Parte do prazer para os compradores é acompanhar a jornada da construção”, diz ele. “Eles podem vir, ver o carro, sentar nele e fazer parte do processo. E sabem que o resultado final é único.”

Durante um teste ao volante de um Alvis Vanden Plas de 4.3 litros recém-construído, mesmo sob temperaturas abaixo de zero, a combinação entre engenharia clássica e soluções modernas se mostrou eficiente. O motor seis-em-linha entrega 184 lb-ft de torque entre 1.000 e 4.000 rpm, e o câmbio de seis marchas facilita a condução no trânsito atual.

Em 1938, a revista Autocar registrou que o Alvis Super Tourer acelerava de 0 a 96 km/h em 11,3 segundos, classificando-o como um supercarro para a época. Segundo os engenheiros da fábrica, hoje ele é ainda mais rápido — prova de que, mesmo ancorada no passado, a Alvis segue relevante no presente da indústria automotiva britânica.