Luto: Conheça a história do Bloco do Barbas, símbolo do carnaval carioca criado por Nelsinho Rodrigues

 

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A morte de Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, na madrugada desta quarta-feira (25), no Rio, reacendeu a memória de um dos blocos mais emblemáticos do carnaval carioca. Fundado em 1985, em Botafogo, o Bloco do Barbas se tornou símbolo de irreverência, crítica política e da retomada do carnaval de rua na cidade. Nelsinho tinha 79 anos e enfrentava, desde 2024, sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC).

Morre Nelsinho: quem é o fundador do bloco Barbas e ex-militante da ditadura, filho do dramaturgo Nelson Rodrigues

Entenda: Morre Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, que militou contra a ditadura e fundou o bloco Barbas

Filho do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912–1980), ele construiu trajetória própria como diretor de teatro, produtor cultural e agitador da cena artística. Entre seus legados mais conhecidos está justamente o Barbas, criado a partir de encontros entre amigos no tradicional restaurante homônimo, na Rua Álvaro Ramos.

Um bloco que nasceu da mesa de bar

O grupo surgiu em meados da década de 1980, quando frequentadores do restaurante decidiram levar para a rua o espírito irreverente das conversas e debates que aconteciam ali. Composto por jornalistas, intelectuais, artistas e moradores da região, o bloco rapidamente ganhou identidade própria, marcada por marchinhas autorais, humor ácido e comentários políticos.

O desfile passou a ocorrer tradicionalmente no sábado de carnaval, com concentração na Rua Arnaldo Quintela, em Botafogo. Uma das marcas registradas da festa é o banho promovido por caminhões-pipa, prática adotada ainda nos primeiros anos do bloco para amenizar o calor e que acabou se transformando em tradição.

Ao longo do tempo, o Barbas consolidou um perfil singular no carnaval carioca. Suas músicas frequentemente misturam sátira política e referências à vida cultural da cidade. Todos os anos são apresentados dois sambas inéditos. Em algumas edições, as letras recuperam a própria história do grupo e lembram o ambiente político em que surgiu, quando parte de seus integrantes tinha militado contra a ditadura militar.

Presidente do bloco, Nelson Rodrigues Júnior já afirmou que a trajetória do Barbas se mistura com a do próprio Rio. Segundo ele, o grupo, ao lado do Simpatia É Quase Amor, ajudou a impulsionar o renascimento do carnaval de rua da cidade nos anos 1980, movimento que cresceria nas décadas seguintes até transformar o Rio em uma das maiores festas populares do país.

Além da atuação cultural, Nelsinho também teve participação política intensa. Durante a ditadura militar, integrou o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e ficou preso por sete anos. Em entrevistas, costumava dizer que sobreviveu ao período, em parte, pelo prestígio do pai junto aos militares, o que teria evitado consequências mais graves. Décadas depois, ajudaria a transformar a irreverência e o espírito contestador daquele período em marca permanente do Bloco do Barbas.