Lupita Nyong'o, ausência de atores gregos, barco viking: conheça as polêmicas envolvendo "A Odisseia"
O filme "A Odisseia", dirigido por Christopher Nolan, estreou nos cinemas brasileiros na quinta-feira (16/07).
Adaptação do poema épico atribuído a Homero, que conta a história do guerreiro grego Odisseu (Ulisses, na tradição romana), o longa se tornou um dos filmes mais comentados nas redes sociais nos últimos tempos.
O burburinho gira não apenas em torno da expectativa por mais uma superprodução do diretor vencedor do Oscar por "Oppenheimer", mas envolve também muita polêmica.
Um dos episódios que mais repercutiram envolveu a atriz Lupita Nyong'o, que interpreta Helena de Troia.
Enquanto a atriz é negra, a personagem, conhecida como a mulher mais bela da mitologia grega, é descrita por Homero como "de braços brancos”.
O blogueiro conservador americano Matt Walsh declarou que Nolan escalou uma mulher de ascendência queniana para o papel porque tinha medo de ser chamado de racista.
“Ninguém no planeta realmente acha que Lupita Nyong'o é 'a mulher mais bonita do mundo'.
Mas Christopher Nolan sabe que seria chamado de racista se desse o papel de 'mulher mais bonita' a uma mulher branca.
Nolan é tecnicamente talentoso, mas um covarde”, escreveu o blogueiro no X.
O bilionário Elon Musk deu mais repercussão ao tema ao concordar com Walsh.
Ele ainda argumentou que o diretor "quer os prêmios", por isso mudou a etnia dos personagens, se referindo ao fato de o Oscar ter padrões de representatividade e inclusão para a elegibilidade a melhor filme.
Contudo, como destaca reportagem da Variety, essas regras, estabelecidas em 2020, vão muito além da escolha do elenco.
Na verdade, elas determinam que os filmes devem atender a critérios de diversidade que incluem uma combinação de elenco, temática, liderança e chefes de departamento, equipe, programas de aprendizagem e/ou desenvolvimento de público.
Musk também fez comentários sobre a escalação do ator transgênero Eliot Page.
No longa, ele vive o soldado Sínon, que facilita a farsa do cavalo de Troia.
O CEO da Tesla e da SpaceX retuitou postagens que zombavam da masculinidade de Page e afirmavam que Nolan estava profanando o túmulo de Homero por causa de suas escolhas.
A Odisseia, filme de Christopher Nolan
Divulgação
Muitos ainda ficaram chocados com a escolha do rapper Travis Scott para interpretar um bardo, pelo fato de ele ter feito apenas alguns trabalhos como ator.
Em entrevista à revista Time, Nolan disse que a presença dele foi uma "referência à ideia de que essa história foi transmitida como poesia oral, o que é análogo ao rap".
Outra polêmica do filme é que ele não traz atores gregos.
“Nada de novo aqui.
De Jasão e os Argonautas (1963) a Tróia (2004), Hollywood explora histórias gregas há gerações sem muita preocupação com a representação grega – a menos que isso se encaixe em um clichê”, apontou o crítico greco-britânico Chris Cotonou em artigo publicado no The Guardian.
“A Odisseia" também se tornou alvo de questionamentos de historiadores, arqueólogos e parte dos fãs, que apontaram supostas inconsistências entre o design de alguns elementos do filme, como o uso de um navio viking, e o período micênico — de 1600 a.C.
a 1100 a.C.
na Grécia — contexto histórico em que se passa a epopeia de Homero.
O diretor de "A Odisseia", Christopher Nolan
Getty Images
Além disso, houve comentários negativos sobre os diálogos contemporâneos e o uso de sotaques americanos, quando o mais usual nesse tipo de filme é recorrer ao sotaque britânico.
Nolan explicou que optou intencionalmente por usar diálogos e linguagem que, em sua opinião, teriam ressonância com o público atual.
O tão aguardado longa é o primeiro da história do cinema filmado inteiramente com câmeras IMAX 70 mm de película, formato também conhecido como IMAX 15/70.
A tecnologia utiliza filmes de 70 milímetros e 15 perfurações por quadro, oferecendo uma imagem de alta resolução, com maior riqueza de detalhes e enquadramento ampliado.
Mas apenas 41 salas em todo o mundo, nenhuma no Sul Global, poderão exibir a produção exatamente como o diretor a idealizou - 26 nos Estados Unidos, sete no Canadá, três no Reino Unido, quatro na União Europeia e uma na Austrália -, o que também gerou controvérsias.
No Brasil, há 12 salas IMAX convencionais, distribuídas por oito estados, e todas utilizam sistemas digitais de projeção.
Mais Lidas
