Lula vê placar apertado para Messias no Senado, mas confia em aprovação, dizem aliados

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou a pessoas próximas nos últimos dias que vê um placar apertado no Senado, mas confia na aprovação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para o Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina está marcada para esta quarta-feira e a votação deve ocorrer em seguida no plenário.

O ministro precisa de ao menos 41 votos para garantir sua vaga na Corte. Nessas conversas, Lula e aliados têm considerado que o desempenho de Messias na sabatina será crucial para garantir a aprovação e que qualquer detalhe pode fazer a diferença, ajudando ou atrapalhando o ministro.

A articulação política do governo tem feito diagnóstico semelhante, de que a situação de Messias está "resolvida", mas sem margem expressiva de vantagem e que precisa ser monitorada pelo Palácio do Planalto até o momento da votação. O advogado-geral da União e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram na semana passada.

A indicação de Messias ao STF distanciou Lula do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tinha o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como seu candidato favorito. Nos últimos meses, no entanto, Lula e Alcolumbre voltaram a se aproximar e trocar gestos de alinhamento. O principal marco do distensionamento, porém, aconteceu em 14 de abril, quando Alcolumbre participou da posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no Palácio do Planalto.

Durante horas de escrutínio na CCJ, Messias será instado a esclarecer como pretende atuar em temas que hoje tensionam a relação entre Judiciário e Congresso, como o alcance de decisões da Corte, investigações sobre emendas parlamentares e o caso Master. Aliados de Lula afirmam que o ministro vai lembrar que é evangélico, na tentativa de ampliar apoios em senadores da bancada que representa o segmento, que não adota posturas radicais e que atuará pela autonomia dos Poderes.

Messias intensificou nas últimas semanas a agenda de visitas a gabinetes e conversas reservadas com senadores. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que Messias soma 25 votos favoráveis e enfrenta 22 contrários. Outros 34 parlamentares — dos quais 16 não responderam e 18 afirmaram que não iriam se posicionar — concentram o poder de decisão. Para atingir os 41 votos necessários no plenário, o indicado precisará conquistar ao menos 16 desses nomes, o equivalente a cerca de metade desse bloco.