O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está se preparando para o que classificou como "nível de baixaria" do senador Flávio Bolsonaro (PL) no debate da TV Globo na próxima sexta-feira (23). Em entrevista ao Valor, o coordenador-geral da campanha afirmou que o petista apresentou propostas no programa da Band neste domingo (18) e disse ver como bem-sucedida a estratégia de "desmascarar" o adversário, que "fugiu" do debate sobre propostas. Leia mais
"Vamos nos preparar mais para a Globo para esse nível de baixaria que eles vão impor", afirmou Edinho, em entrevista na tarde desta segunda-feira (19). "É um estilo que eles escolheram, uma forma de posicionamento que nós temos que estar mais preparados. A gente sabia que poderia ser isso, até pelas informações que tínhamos de como estava acontecendo a preparação dele [Flávio]."
Como o Valor mostrou, a postura de Flávio irritou a campanha e os apoiadores de Lula. Apesar de aprovado previamente entre as duas candidaturas, petistas dizem que o bolsonarista não estava apenas "circulando livremente no estúdio", mas fazendo gestos. Eles listam pelo menos duas situações em que o adversário, sem que Lula tivesse visto, fazia o sinal negativo com as mãos.
Segundo Edinho, Flávio não cumpriu o combinado entre as campanhas nem os pedidos da emissora. "A Band disse que ia garantir a regra de ele não encostar, mas aí começava o debate e ele [Flávio] encostava. Ele desrespeitou a regra o tempo todo", disse.
Isso foi questionado no meio do debate pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, que se levantou durante o intervalo acusando a campanha de Flávio de não agir de forma justa. A desavença chegou ao ápice nas declarações finais, quando Flávio interrompeu Lula e foi possível ouvi-lo reclamar em voz alta. "O debate foi de muito baixo nível, de muita agressividade por parte do Flávio e ele se esquivando o tempo todo das perguntas", afirmou.
De acordo com o coordenador, para a o debate na Globo, Lula seguirá na estratégia de tentar debater propostas e comparar biografias, mas mais preparado com eventuais desvios do adversário. "Ele [Lula] colocou o [projeto] dele e enfrentou o do Flávio. Teve um confronto de projetos ali, que para mim ficou nítido, mesmo o Flávio se esquivando", avaliou. "Quando ele não responde sobre a não votação do direito à maternidade, quando ele não responde da proteção ao policial que assassinou uma criança de 5 anos", citou o petista.
A avaliação do partido, baseada em pesquisa qualitativa simultânea ao debate, segundo Edinho, é que Lula teve um saldo positivo. "O presidente, primeiro, manteve postura, mesmo com as provocações e as agressões. Com todas as dificuldades do modelo, mostrou propostas e falou de propostas, falou de futuro, das preocupações dele com o Brasil", afirmou. Para Edinho, o debate colocou frente a frente os dois projetos de país. "Que é o que a gente queria", afirmou.
Edinho admite, no entanto, que o clima hostil do embate foi uma barreira para conquistar o voto dos indecisos, a principal meta do PT para este segundo turno. "É evidente que aquele eleitor que está com mais dificuldade de definir o voto, naquele ambiente em que se criou, certamente desligou a televisão. Esse risco existe", ponderou o coordenador da campanha.
Valor