‘Lula tá cagando pra Amazônia’, diz Flávio Bolsonaro em Manaus

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O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) atacou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na noite desta segunda-feira (19), em Manaus, ao responsabilizar o governo federal pela falta de atenção ao combate às queimadas que provocaram uma grave crise de fumaça no Amazonas.

“O Lula, além de não preservar a Amazônia, ele tá de costas pra Amazônia. Nem o pedido de ajuda dos bombeiros aqui do Amazonas ele atendeu. O Lula tá cagando pra Amazônia”, declarou Flávio, durante discurso no Complexo Turístico da Ponta Negra, na zona oeste da capital.

A declaração ocorreu durante o “Bloquinho do 22”, ato de campanha organizado pelo PL para mobilizar apoiadores de Flávio Bolsonaro e da candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), na última semana antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).

O evento também contou com a participação de lideranças nacionais do partido, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A mobilização reuniu milhares de apoiadores na orla da Ponta Negra.

A crítica de Flávio ao presidente Lula ocorreu justamente no momento em que Manaus enfrenta uma das situações mais graves de poluição atmosférica provocada pelos incêndios florestais. A fumaça levou à suspensão de aulas presenciais nas redes públicas de ensino nesta segunda-feira, como medida de proteção à saúde de estudantes e profissionais da educação.

Governo Lula enviou quatro ministros a Manaus

Apesar da acusação feita por Flávio Bolsonaro, o governo federal havia anunciado, no fim de semana, um conjunto de medidas emergenciais para enfrentar os incêndios no Amazonas.

No domingo (18), um dia antes do discurso do presidenciável, quatro ministros desembarcaram em Manaus para coordenar as operações de combate às queimadas, após articulação que envolveu o senador Eduardo Braga (MDB) e o prefeito Renato Junior (Avante).

A comitiva foi integrada pelos ministros José Múcio Monteiro, da Defesa; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Entre as providências anunciadas estão a ampliação para 16 aeronaves disponibilizadas às operações, o reforço da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, a participação das Forças Armadas e a instalação de uma estrutura de comando militar em Manaus.

As medidas foram apresentadas pelo governo federal como resposta à crise ambiental e sanitária que atinge a capital e municípios do interior.

Durante a visita dos ministros, o prefeito Renato Junior pediu que o enfrentamento dos incêndios não fosse transformado em disputa político-eleitoral, diante dos riscos à saúde da população.

Flávio promete BR-319 e investimentos na Zona Franca

Além dos ataques ao presidente Lula, Flávio Bolsonaro fez promessas relacionadas a duas das principais demandas econômicas e de infraestrutura do Amazonas: a recuperação da BR-319 e a manutenção dos incentivos à Zona Franca de Manaus.

“A BR-319 vai sair. A Zona Franca de Manaus vai continuar firme e forte e eu vou investir muito na Zona Franca de Manaus pra gerar emprego e oportunidade pra cada um de vocês”, afirmou.

A BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é uma reivindicação histórica de setores econômicos e da população amazonense. A recuperação do trecho central da rodovia enfrenta entraves ambientais e administrativos há décadas.

Ao abordar a Zona Franca de Manaus, Flávio prometeu fortalecer o modelo econômico responsável pela sustentação do parque industrial da capital e pela geração de empregos.

O candidato, entretanto, não detalhou no discurso os recursos necessários, os prazos ou as medidas administrativas que pretende adotar para executar as propostas.

Flávio também afirmou que, caso seja eleito, pretende conciliar a preservação ambiental com a exploração econômica das riquezas naturais da Amazônia.

“A partir do ano que vem, vocês terão um presidente da República que vai tomar conta, sim, da floresta, mas vai transformar as riquezas que Deus deu em riquezas pra cada um de vocês, povo amazonense”, declarou.

Ataques a Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também foi alvo do discurso do candidato do PL.

Flávio associou o presidente Lula ao magistrado e afirmou que uma vitória eleitoral representaria uma mudança na relação do governo com o Supremo.

“Quem tá votando em Lula hoje, tá votando em Alexandre de Moraes”, disse.

Em seguida, acrescentou:

“A gente vai tirar Lula e a gente vai tirar o Moraes também”.

O presidenciável não explicou como pretende concretizar a declaração referente ao ministro do STF. Diferentemente do presidente da República, os integrantes do Supremo não são escolhidos por eleição direta e não deixam seus cargos em consequência de uma derrota eleitoral do governo que os indicou.

Pedido de votos para Maria do Carmo

Na parte final do discurso, Flávio Bolsonaro reforçou seu apoio à candidatura da Professora Maria do Carmo, que disputa o segundo turno do Governo do Amazonas contra o senador Omar Aziz (PSD).

“Eu vou precisar da professora Maria, governadora aqui do Amazonas, pra me ajudar a colocar todo esse projeto de pé”, afirmou.

A presença de Flávio em Manaus integra a estratégia nacional do PL de associar as candidaturas estaduais à disputa presidencial.

Realizado na orla da Ponta Negra, o “Bloquinho do 22” foi organizado como uma mobilização de rua, inspirada nos blocos de carnaval, para reunir apoiadores e ampliar a participação dos eleitores na reta final da campanha.

A passagem do presidenciável pelo Amazonas ocorre a seis dias da votação que definirá o próximo presidente da República e o próximo governador do estado.

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