Lula sugere a Trump em ligação que Conselho da Paz se limite a Gaza e defende ‘estabilidade’ na Venezuela

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por ligação em telefone com o presidente americano Donald Trump, e sugeriu a ele que a proposta de Conselho da Paz dos Estados Unidos se restrinja apenas à Faixa de Gaza.

Segundo a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, a conversou aconteceu às 11 horas desta segunda, e durou cerca de cinquenta minutos. Na ligação, os líderes abordaram "temas relacionados à relação bilateral e à agenda global."

Ao falar sobre sobre o convite formulado pelos Estados Unidos para que o Brasil participe do Conselho de Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina.

"Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança", diz a assessoria.

Embora o território palestino tenha sido citado por Trump como foco central do novo órgão, Gaza não aparece explicitamente no texto do estatuto.

Durante a ligação, os dois presidentes acordaram combinaram uma visita de Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro. A data exata ainda será definida em breve, segundo o Planalto.

Segundo apurou O GLOBO, se o escopo for reduzido à situação em Gaza, as chances de o Brasil aderir aumentariam, afirmam auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas palavras de um interlocutor, o Brasil não quer dar um “cheque em branco” a Trump, o que poderia contribuir para agravar o quadro de debilidade da Organização das Nações Unidas.

Em entrevista ao GLOBO, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou que ainda não há clareza suficiente sobre a natureza e as implicações do convite. Segundo ele, o texto da carta é confuso, “porque começa a falar de uma coisa e depois vai se alargando no documento anexo”, e representa, na prática, uma revogação da ONU — sobretudo na área de paz e segurança — o que seria “inaceitável”.

Reforma da ONU

Em Brasília, a avaliação é que a proposta de Trump reacende o debate sobre a necessidade de reforma das Nações Unidas, em especial do Conselho de Segurança. Segundo interlocutores, ou mudanças na ONU são implementadas, ou iniciativas como as do presidente americano tendem a ganhar ainda mais espaço em um mundo no qual o multilateralismo está em xeque.

De acordo com um importante integrante do governo Lula, o novo conselho anunciado por Trump expôs limites da atual governança internacional, reforçando uma posição histórica da diplomacia brasileira: a ampliação do número de membros permanentes do órgão responsável pela paz e a segurança globais.

Atualmente, apenas cinco países são membros permanentes do Conselho de Segurança: Rússia, Estados Unidos, França, China e Reino Unido. O Brasil defende a ampliação da participação de nações emergentes nesse colegiado.

Para esses interlocutores, apenas um sistema multilateral fortalecido, representativo e legítimo é capaz de responder de forma eficaz aos conflitos contemporâneos — objetivo que, na avaliação do Palácio do Planalto, não é alcançado por iniciativas unilaterais ou pouco flexíveis.