Lula se reúne com líder religioso em meio a críticas por desfile de samba e cobrança de aliados por gestos ao segmento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira com o líder religioso Apóstolo Élder Ulisses Soares, num momento em que o petista é alvo de críticas pelo desfile de escola de samba que o homenageou na Marquês de Sapucaí, no Rio, e que aliados cobram gestos do chefe do Executivo ao segmento religioso.
A audiência ocorreu no Palácio do Planalto. Soares é membro do Quórum dos Doze Apóstolos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O compromisso foi incluído na agenda do presidente na manhã desta quinta.
Nas redes sociais, Lula disse que teve "uma conversa muito boa", na qual os convidados "ressaltaram suas experiências missionárias com ajuda humanitária. E se colocaram à disposição para colaborar com o Governo no apoio e acolhimento às famílias afetadas pelas chuvas em Minas Gerais, como já fizeram na tragédia que assolou o Rio Grande do Sul".
"Fiquei feliz ao ouvir que a liberdade religiosa no Brasil contou, nas palavras dos religiosos, com amplos incentivos dos meus governos. Agradeci o apoio com as ações humanitárias, e pedi o engajamento da igreja no Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, para que o combate à violência contra as mulheres tenha o engajamento de todos os segmentos da sociedade".
O encontro ocorre num momento em que Lula virou alvo de críticas de uma parcela da sociedade após a escola de samba Acadêmicos de Niterói ter em seu desfile a ala “Neoconservadores em conserva", com famílias estampadas em latas e adereços de referência religiosa. O desfile foi alvo de ações do PL e do Novo na Justiça.
Aliados do petista reconhecem o desgaste com o segmento religioso, mas minimizam as críticas afirmando que não houve influência ou interferência do governo e do presidente nas escolhas da escola de samba. Por outro lado, alguns auxiliares do petista defendem que ele faça gestos mais contundentes ao segmento, que apresenta resistências a Lula.
Nesta semana, ao ser questionado sobre os desgastes, o presidente disse que ele não é “o carnavalesco”, mas se recusou a dar “palpite” sobre o desfile.
— Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa — disse.
— Cabia ao presidente da República aceitar se ele queria ser homenageado ou não, e eu aceitei e sou muito grato à escola. Muito grato — afirmou o petista em entrevista a jornalistas em Nova Délhi, na Índia.
