Lula revela ter falado a Vorcaro que 'não haverá posição política pró ou contra o Banco Master'

 

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O presidente Lula falou pela primeira vez, nesta quinta-feira (5), sobre a crise envolvendo o Banco Master. Em entrevista ao site UOL, Lula comentou o encontro que teve com o empresário Daniel Vorcaro, responsável pela instituição financeira, em Brasília.

Questionado sobre a reunião, o presidente afirmou que, ao longo do atual mandato, recebeu representantes de todos os bancos e que, portanto, também recebeu Vorcaro. Segundo Lula, durante o encontro o empresário relatou estar sendo alvo de perseguição. O presidente, no entanto, garantiu que não haveria qualquer tipo de punição política, mas sim uma apuração de caráter técnico conduzida pelo Banco Central.

'E ele, então, me contou da perseguição que ele estava sofrendo, que ele estava sofrendo uma perseguição, que tinha gente interessada em derrubar ele, que não sei das contas e tal. O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central'.

O presidente classificou o caso como uma oportunidade real de pegar o que chamou de 'magnatas da corrupção' no país. Lula também saiu em defesa do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, a quem descreveu como um dos maiores juristas já produzidos pelo Brasil. A defesa ocorreu após questionamentos sobre um contrato de consultoria firmado pelo escritório de Lewandowski, após sua saída do Supremo Tribunal Federal, que prestava serviços ao Banco Master.

Segundo Lula, é normal que profissionais atuem para empresas privadas e que isto é normal no ramo.

Sobre a eventual instalação da CPI do Banco Master, que inicialmente não contava com apoio do governo, mas passou a receber assinaturas após repercussão negativa, Lula afirmou que não trata diretamente desse assunto e que não extrapola suas funções. Ainda assim, deu recados ao afirmar que o governo irá até as últimas consequências para investigar o rombo financeiro, fazendo menções indiretas a governos estaduais citados nas apurações.

'Vamos a fundo nesse negócio. Agora, queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, o estado do Amapá, colocaram o dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília?

Eu não sei que partido político está envolvido nisso, eu não sei que presidente do partido político está envolvido nisso, eu não sei que governador está envolvido nisso, eu não sei se tem deputado senador, não sei se tem prefeito, não sei se tem mais empresários. O dado concreto é que a ordem é a seguinte: nós vamos investigar as últimas consequências para ver se a gente tira dessa, desse rombo que um banco deu'.

Nos bastidores, a orientação no Palácio do Planalto tem sido se afastar ao máximo da crise do Banco Master e atribuir o desgaste político à oposição, destacando o envolvimento de governos estaduais comandados por políticos de direita, como os do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Lula também foi questionado sobre a possível participação de seu filho, conhecido como Lulinha, em um esquema de fraudes no INSS. Pela primeira vez, o presidente afirmou que chamou o filho para conversar quando o assunto surgiu. Disse que apenas ele conhece a verdade dos fatos, mas ressaltou que, caso haja qualquer responsabilidade comprovada, Lulinha terá de responder e pagar pelo que fez.