Lula reúne ministros para discutir medidas contra endividamento das famílias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na manhã desta terça-feira no Palácio do Planalto com ministros para discutir a adoção de medidas para reduzir o endividamento das famílias.
Estavam previstas no encontro a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Luiz Marinho (Trabalho), Esther Dweck (Gestão), além do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.
O endividamento das famílias se tornou uma preocupação de Lula nas últimas semanas. O diagnóstico é que o problema tem prejudicado a popularidade do governo a seis meses da eleição.
Em 2022, o petista prometera uma saída para as famílias com dificuldades de lidar com dívidas, atacando os níveis recordes de endividamento do fim do governo de Jair Bolsonaro. Lançou o Desenrola, programa de renegociação de dívidas, no início do mandato, em 2023, mas, passados três anos, com a escalada dos juros para conter pressões inflacionárias, os números estão nos mesmos níveis de 2022.
O auge do endividamento ocorreu em julho de 2022, quando a relação entre o saldo das dívidas das famílias e a renda acumulada em 12 meses chegou a 49,9%, sem considerar o financiamento da casa própria. A taxa fechou aquele ano em 49%. Em janeiro de 2026, último dado disponível, foi de 49,7%. A parcela do orçamento familiar gasto com parcelas foi recorde: 29,3%.
O plano em discussão no governo e com bancos é ter, dentro de poucos dias, um novo programa de renegociação de dívidas em atraso, uma versão simplificada e de menor duração do Desenrola, focada nas modalidades mais caras do mercado: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, como antecipou O GLOBO.
Durigan adiantou à colunista Míriam Leitão que busca descontos de até 80% na dívida com refinanciamento do restante. Ainda está em discussão se será imposta um teto para a taxa dos novos contratos, mas essa é a tendência, dizem executivos do setor financeiro, diante de garantias que devem ser dadas pelo governo.
