Na estreia do horário eleitoral para candidatos à Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — que lideram as pesquisas de intenção de voto — dedicaram a maior parte do tempo às suas biografias, mas também trocaram ataques.
Em um momento, a peça de Lula reproduziu trecho do áudio em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Já o senador disse que o petista buscará vender um Brasil de fantasia, enquanto ele falará sobre os problemas reais do país, como endividamento alto e segurança pública.
Também estrearam no rádio os candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
Os demais candidatos não têm direito a tempo na cadeia de rádio e TV, por não atingirem os requisitos exigidos pela Justiça Eleitoral.
Os programas na TV serão transmitidos às 13h e às 20h30.
A menção ao caso Dark Horse no programa de Lula ocorreu após um trecho mais longo em que o petista relembra sua trajetória e destaca investimentos em educação, construção de institutos federais e elenca estatísticas da economia favoráveis à gestão petista, como menor taxa de desemprego.
Na sequência, a narradora faz um paralelo entre Lula que “gosta de trabalhar” e Flávio, “que além de não gostar de trabalhar, ainda pediu R$ 61 milhões para o banqueiro Daniel Vorcaro”.
O programa, então, reproduz trecho do áudio revelado pelo site Intercept Brasil no início do ano em que Flávio cobra de Vorcaro o pagamento do financiamento do filme sobre Bolsonaro.
O assunto, no entanto, toma poucos segundos da peça, após o narrador dizer que “não quer ocupar o Brasil com notícia ruim desse cara”, em um aceno a eleitores que se declaram independentes e dizem preferir decidir com base em propostas, e não trocas de acusações.
Depois de mais um trecho sobre propostas, como o fim da escala 6x1, por exemplo, o programa retoma acusações contra Flávio, relembrando o escândalo da rachadinha e classificando o senador como “o pior dos Bolsonaros”.
Já Flávio, que se apresentou antes de Lula, iniciou seu programa dizendo que tratará do Brasil “real” e não do “Brasil do Lula”.
O programa do senador, no entanto, não mencionou as investigações da Polícia Federal (PF) contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, que tem destacado em entrevistas e atos públicos.
“Está começando o programa eleitoral.
E vão mostrar dois Brasis para você.
O Brasil do Lula vai culpar os outros e dizer que tudo melhorou.
Vai ter muita cena bonita e linda de ver, agora eu vou mostrar o Brasil real, o Brasil que vive, o Brasil que está dominado pelas facções, que as pessoas nunca tiveram tanto medo, que as empresas estão quebrando e as famílias devendo”, diz o presidenciável do PL.
O senador também acena aos independentes, afirmando que “você pode estar de um lado ou de outro, mas todo mundo concorda que o Brasil não está bom do jeito que está”.
Flávio Bolsonaro também dedicou boa parte do seu programa a um aceno às mulheres, maior parcela do eleitorado e um dos desafios para a campanha do candidato.
Em um trecho, ele é questionado pelo apresentador se “as mulheres da vida” do presidenciável mandam na casa.
O candidato então diz que todos conhecem o pai, Jair Bolsonaro, mas quem o formou foram sua mãe, mulher e filhas.
“Lá em casa quem manda são elas, ainda bem que é assim.
O Brasil só vai ser melhor se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais”, diz Flávio, que também responde a perguntas sobre a sua mulher, Fernanda Bolsonaro, que tem aparecido mais na campanha desde a convenção nacional que confirmou sua candidatura.
Antes de Lula e Flávio, Caiado também se apresentou, com foco em sua gestão em Goiás.
O programa mencionou temas caros ao presidenciável, como segurança pública.
Já Cury, que foi o primeiro a se apresentar e tem apenas 35 segundos, começou seu bloco com um ruído dissonante, antes de uma mensagem em que o presidenciável questiona se eleitores querem mais quatro anos de grito e prega que todos parem de gritar, escutem e curem o país, em linha com o discurso do candidato de se apresentar fora da polarização.
