Lula relata conversa com Vorcaro no Planalto: 'Disse para ele que não haveria posição política pró ou contra o Master'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, disse a ele que sofria uma "perseguição", ao ser recebido no Palácio do Planalto em encontro fora da agenda, em dezembro de 2024.
Questionado, em entrevista ao portal UOL, sobre o encontro que teve com o banqueiro, Lula disse já ter recebido outros empresários.
— Primeiro, eu já recebi o Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, e não tinha uma agenda comigo. E quando o Guido (Mantega, ex-ministro da Fazenda) veio com o André Vorcaro (sic) a Brasília e pediu para eu atender, eu chamei o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central), o Rui Costa (ministro da Casa Civil), da Bahia, que conhecia ele. Ele me contou que estava sofrendo uma perseguição, eu disse para ele que não haveria posição política, pró ou contra o Banco Master, o que haverá será uma posição técnica do Banco Central — disse Lula.
O presidente também minimizou o contrato do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski com o Banco Master:
— O Lewandowski é um dos maiores juristas que este país já produziu e todo bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade. O Lewandowski tinha deixado a Suprema Corte, ele fez um contrato para trabalhar no banco e quando eu o convidei, saiu do banco. Não tem problema nenhum — afirmou Lula.
O governo vem tentando se afastar da repercussão da crise, baseando-se no discurso de que apoia as investigações e buscará colar os desdobramentos do caso na oposição.
O presidente questionou o porquê de fundos de pensão de estados como o Rio de Janeiro (governado pela oposição) e Amapá alocaram recursos no Master.
— Nós vamos a fundo nesse negócio. Queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro e o Estado do Amapá colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores neste banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília? — disse Lula.
O presidente disse que não cabe ao governo apoiar oficialmente a instalação de uma CPI sobre o Master, mas reafirmou que orientou para que as investigações sejam feitas "às últimas consequências" para que fraudes do tipo não se repitam.
A irritação do presidente com o tema ficou clara em discurso em janeiro, e o assunto passou a ser foco de preocupação digital do governo. Nas redes sociais, o tema tem impactado mais diretamente o presidente nesta semana, de acordo com levantamento da consultoria Bites feito a pedido do GLOBO.
