Lula reforça mote da soberania no 7 de setembro, e Flávio Bolsonaro renova ofensiva contra Moraes

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A pouco menos de um mês para o primeiro turno da eleição, o 7 de Setembro vai ser usado pelas campanhas presidenciais como vitrine das estratégias para a reta final da disputa. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usará o desfile oficial em Brasília para reforçar bandeiras de sua campanha à reeleição, como a defesa da soberania nacional e o combate à violência contra as mulheres, Flávio Bolsonaro (PL) irá à Avenida Paulista em meio a uma nova ofensiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impulsionada pela revelação das mensagens enviadas ao magistrado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

A tendência é que, diante do desgaste da Corte, ministros do STF que já foram ao desfile em anos anteriores, como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, também não compareçam ao evento em Brasília. Lula pretende voltar à defesa da soberania duas semanas antes de embarcar para a Assembleia Geral das Nações Unidos (ONU), onde há a possibilidade de um novo encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o americano impor o tarifaço a produtos brasileiros.

Já Flávio chega ao principal palco das manifestações bolsonaristas com uma versão reformulada das bandeiras levadas às ruas pelo pai desde 2019: ele vai manter o confronto com Moraes, mas evitar ataques ao Supremo como instituição.

Temas da campanha No desfile oficial em Brasília, Lula não fará discurso. O governo pretende dar destaque a temas que já aparecem na campanha, como a soberania nacional. O tema ganhou espaço na campanha petista em meio aos embates comerciais com os Estados Unidos e será reforçado de agora em diante. O assunto apareceu no pronunciamento veiculado domingo à noite, quando Lula disse que “defender a independência é defender a soberania” e que o Brasil “não será colônia de ninguém”. Outro foco do desfile, com duração de duas horas, será o público feminino, com mensagens de combate ao feminicídio e referências à Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil em 2027. Haverá uma ala específica sobre o torneio, além de atletas de outras modalidades e atletas militares. A vacinação também estará entre os temas explorados durante a cerimônia. A Advocacia-Geral da União (AGU) acompanhou os preparativos para evitar ações da oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando propaganda eleitoral.

Todos os ministros do governo foram chamados a comparecer ao lado de Lula no palanque de autoridades. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve ir ao desfile. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não confirmou presença, mas é esperado na cerimônia. A programação também contará com o tradicional desfile das Forças Armadas. Evento em São Paulo Na outra ponta da disputa, Flávio estará na Avenida Paulista, em São Paulo, palco que concentrou alguns dos principais atos políticos de Jair Bolsonaro desde que chegou à Presidência. A manifestação deste ano ocorre em um momento em que a campanha do senador volta a elevar o tom contra Moraes. Na quarta-feira, durante agenda eleitoral no Rio Grande do Sul, Flávio antecipou a palavra de ordem que pretende levar ao ato: “fora Lula e fora Moraes”. A decisão de Flávio de transformar o 7 de Setembro numa ofensiva contra o ministro criou uma saia-justa para Tarcísio de Freitas (Republicanos), que estará na Paulista, mas resiste a embarcar no mesmo tom contra o magistrado. O governador mantém relação institucional com Moraes e tenta evitar que sua presença no ato seja interpretada como adesão ao “Fora Moraes”. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por sua vez, não deve comparecer à manifestação, segundo interlocutores. A ausência ocorre em meio a cobranças de aliados de Flávio por uma participação maior dela na campanha presidencial. Integrantes do entorno do senador consideram que Michelle tem se dedicado mais à própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e avaliam que ela poderia ser mais explorada para alcançar dois públicos considerados estratégicos para Flávio: mulheres e evangélicos. Na estreia da propaganda eleitoral, por exemplo, Michelle apresentou sua trajetória e disse ter recebido de Jair Bolsonaro a “missão” de disputar uma vaga no Congresso, sem mencionar Flávio. Aliados têm aconselhado Flávio a moderar as críticas ao ministro diante do risco jurídico de uma escalada no discurso e defendem que o candidato concentre os ataques em decisões de Moraes e em instrumentos institucionais, como a abertura de um processo de impeachment no Senado. A avaliação é que Flávio deve evitar declarações que possam aproximá-lo do tipo de confronto adotado por Jair Bolsonaro com o Judiciário durante seu governo. Em 2021, o então presidente chegou a afirmar que não ia mais cumprir decisões judiciais assinadas por Moraes. Ao mesmo tempo, o candidato tenta estabelecer uma diferença entre o enfrentamento a Moraes e um ataque ao STF. Na quarta-feira, afirmou ser necessária uma “defesa intransigente” da Corte e comparou o ministro a uma “laranja podre” que não poderia contaminar as demais. Outros presidenciáveis Além de Lula e Flávio, outros candidatos à Presidência também preparam agendas para o Sete de Setembro. Em terceiro lugar, o candidato do Avante, Augusto Cury, vai participar de uma caminhada na Praia de Copacabana, no Rio. Já Ronaldo Caiado (PSD) vai apostar em seu reduto eleitoral e vai participar do desfile de Sete Setembro que vai acontecer em Goiânia.

Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) vão estar em São Paulo. Renan anunciou para seus apoiadores um ato nos arredores do Obelisco de São Paulo, no Parque Ibirapuera. Zema, assim como Flávio, vai estar na Avenida Paulista, mas o candidato do Novo marcou o ato para o período da manhã, enquanto Flávio organiza a manifestação para a tarde. A pesquisa Datafolha mais recente indica que Lula tem 38% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio, com 33%, Cury, com 8%, Caiado, com 4%, Renan, com 3% e Zema, com 2%.

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