Lula reforça aposta em reforma de casas, fim da escala 6x1 e redução do endividamento para reagir a Flávio nas pesquisas

 

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Pressionado pelos maus resultados das pesquisas, reforçado nesta quarta-feira pela divulgação do levantamento da Genial/Quaest que apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas simulações do segundo turno, o governo tem se empenhado nos últimos dias em busca de medidas de impacto popular.

Estão no cardápio de apostas do Planalto iniciativas para reduzir o endividamento das famílias, o possível lançamento de novas linhas de crédito para taxistas, motoristas de aplicativo e caminhoneiros trocarem de veículo, a ampliação do programa de reforma de casas, o fim da escala 6x1 e a tentativa de reduzir a fila do INSS.

No fim de semana, pesquisa Datafolha mostrou Lula com 45% dos votos em um eventual segundo turno contra Bolsonaro, que tinha 46%.Foi a primeira vez que o senador ultrapassou numericamente o petista, apesar de os dois continuarem empatados tecnicamente dentro da margem de erro. Nos cenários com os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), também há empate técnico. Lula está à frente com 45% contra 42% dos adversários.

Nesta quarta-feira, pesquisa Genial/Quaest também trouxe Flávio à frente numericamente de Lula pela primeira vez. O senador marcou 42% das intenções de voto, enquanto o presidente obteve 40%.

Em uma reação ao momento difícil nas pesquisas, na semana passada, o Executivo decidiu que mandaria ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Até então, o governo contava com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o tema em tramitação na Câmara. Mas havia receio que a proposta demorasse para ser votada e estabelecesse um prazo muito longo de transição para a nova escala ser implantada.

Pressionado pela proximidade da eleição, o Planalto decidiu enviar o PL em regime de urgência, o que obriga que as votações ocorram em até 90 dias. Com o texto , o Executivo também ganha protagonismo no assunto, mesmo que os parlamentares o rejeitem. Nesse caso, Lula poderá dizer na campanha que tentou acabar com a escala 6x1 e foi impedido pelo Congresso.

Comparação com Bolsonaro

Em entrevista nesta quarta-feira para falar sobre o projeto de lei, o ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, buscou politizar o tema e fez comparações entre uma fala do ex-presidente Jair Bolsonaro no passado e a iniciativa de Lula. Também destacou que o presidente do partido de Flávio Bolsonaro, o PL, Valdemar Costa Neto, junto com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, já falaram publicamente em trabalhar contra a aprovação do fim da escala 6 x1 neste ano.

— O ex-presidente Jair Bolsonaro dizia que o trabalhador teria que escolher entre ter emprego e ter direito. O presidente do partido do Bolsonaro, o Valdemar Costa Neto, disse para uma plateia de empresários recentemente, junto com Antônio Rueda, que eles iam dar a vida para que a escala 6x1 não fosse votada esse ano antes da eleição, para defender o interesse dos privilegiados — acusou Boulos.

O ministro ainda afirmou que estará em debate de que lado cada grupo político está.

— Enquanto isso, o presidente Lula manda o projeto de lei com regime de urgência para acabar com a escala 6x1. É esse debate que vai estar em jogo no nosso país: quem está do lado dos trabalhadores e das trabalhadoras do Brasil e quem está do lado dos privilegiados.

Reforma de casas

Também nesta quarta-feira, o governo fez uma reunião com a presença de Lula, ministros e de representantes do setor da construção civil, para tratar de habitação. O encontro foi transmitido pelas redes do Planalto. Houve uma tentativa de juntar medidas que já estão em vigor, como as mudanças nas faixas do Minha Casa Minha Vida, com o anúncio da ampliação do programa de reforma de casas, com aumento do valor do crédito de R$ 30 mil para R$ 50 mil, redução dos juros para 0,99% e ampliação da faixa de adesão de famílias com renda de até R$ 9,6 mil para R$ 13 mil.

Antes do fim do mês, o governo também deve anunciar as novas medidas para renegociação de dívidas. Ideias como troca de débitos caros por baratos amadureceram e passam agora por processos de construção técnica. Outra proposta que avançou politicamente foi a de liberação do FGTS, antecipada pelo GLOBO. Está se discutindo dois grupo de ações: a disponibilização de cerca de R$ 7 bilhões que a Caixa reteve a mais do dinheiro do Fundo relativo às antecipações do saque aniversário; e a liberação, entre R$ 5 e R$ 10 bilhões, para a quitação de dívidas de cartão de crédito e outros tipos de dívidas caras.

Paralelamente, o Planalto trabalha na construção de um plano para oferecer condições de financiamento facilitadas para motoristas de aplicativo, taxistas e caminhoneiros trocarem seus veículos. As medidas ainda precisam ter o convencimento da equipe econômica. Na junção das iniciativas para renegociar as dívidas e e as novas ofertas de crédito, a gestão Lula poderia anunciar de uma vez um pacote que ultrapasse os R$ 100 bilhões.

No começo da semana, o governo também trocou o presidente do INSS. O incômodo com a fila do INSS, que chegou a 2,6 milhões em março, e os problemas nas gestões das agências da autarquia levaram à demissão de Gilberto Waller. O cargo será ocupado agora por Ana Cristina Viana Silveira , uma servidora de carreira, que terá como missão central reduzir a espera pela concessão de benefícios. A fila do INSS é vista com forte potencial de desgaste popular para o governo.