Lula reedita promessa de 2022 e condiciona recriação de ministério para segurança a aprovação de PEC no Congresso

Lula reedita promessa de 2022 e condiciona recriação de ministério para segurança a aprovação de PEC no Congresso

 

Fonte: Bandeira



O presidente Lula fez um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP), para que ele paute a votação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), já aprovada na Câmara dos Deputados, e que cria diretrizes nacionais para integrar as polícias e combater o crime organizado. Em sua participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula disse que, se a proposta for aprovada, ele vai criar o Ministério da Segurança Pública em 15 dias.

— Faço um apelo ao Alcolumbre. Coloque para votar a PECda Segurança, para resolvermos definitivamente o problema da segurança — afirmou Lula, no início do programa, nesta sexta (22). Se a PEC for aprovada, 15 dias depois eu crio o Ministério da Segurança Pública. Não posso aceitar a ideia de que bandidos dominam território. O território é do povo brasileiro e bandido tem que ser punido e ir para a cadeia.

O presidente dedicou a primeira parte da sua fala ao tema da segurança pública que, segundo a Quaest, é a principal preocupação da população brasileira, e deve ter muito espaço nas eleições. Lula citou iniciativas do seu governo, como leis contra facções do crime organizado e a proposta de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.

— O problema da segurança publica é sagrado para o povo brasileiro. O povo não quer ser vítima de bala perdida — disse o presidente, que também criticou problemas no judiciário, e nas polícias. — A polícia não pode matar antes de investigar. Também sei que o policial não ganha o salario que deveria ganhar, não é preparado, e vai para rua com medo.

A PEC da Segurança Pública foi aprovada em março na Câmara dos Deputaos e agora aguarda ser pautada no Senado. O texto cria diretrizes nacionais para integrar as polícias e combater o crime organizado, dando status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública, e reforçando a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Guarda Nacional.

Segundo Lula, os investimentos na segurança, após a aprovação da PEC, somariam cerca de R$11 bilhões. Ele disse, porém, que há governadores que não gostariam das mudanças.

— Nós queremos unir forças. Alguns governadores não querem que a gente aprove PEC, porque não quer que a gnt se meta, é um pedaço de poder que o governador não quer abrir mão. Mas a questão de segurança vai ser sagrada para nós — afirmou Lula, que admiriu um possível "erro" na Constituição de 1988 ao não definir papel do governo federal na segurança e relegar a responsabilidade aos governos estaduais.