Presidente Lula durante coletiva após encontro com Donald Trump nos EUA em maio de 2026
REUTERS/Elizabeth Frantz
O conflito entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Estado americano Marco Rubio tem escalado e o brasileiro busca apoio em uma pessoa improvável: o chefe de Rubio, Donald Trump, diz reportagem do jornal britânico Financial Times.
O texto diz que Lula está tentando conquistar Trump como aliado em uma disputa que envolve troca direta de farpas (Rubio disse que Lula coloca o ego acima do povo, enquanto Lula afirmou que Rubio era um “latino-americano frustrado” que “odeia o Brasil”), relembrando a conversa telefônica que os dois presidentes tiveram nesta sexta-feira (22).
"Alguns em Washington dizem que Lula está criando uma disputa com Rubio porque acredita que uma reação nacionalista contra os EUA o ajudará a derrotar seu rival, Flávio Bolsonaro", diz a reportagem, contrapondo a opinião do governo brasileiro de que o Departamento de Estado se tornou mais ideológico.
"Segundo um alto funcionário brasileiro, existe 'uma agenda da extrema-direita brasileira que é coordenada com a extrema-direita do Departamento de Estado [dos EUA]'”.
Ouvido pelo jornal, o especialista em política externa da Fundação Getúlio Vargas Matias Spektor afirmou que os dois países “certamente se encontrarão” porque o Brasil agora é muito menos dependente da economia americana — cerca de um terço de suas exportações são destinadas à China, em comparação com 11% para os EUA.
"Spektor acredita que, após outubro, a cooperação entre os dois governos em questões de segurança e outros assuntos não será afetada.
'Será que [o governo] preferiria que Bolsonaro fosse presidente? Claro', disse ele.
'Mas Marco Rubio não vai sacrificar essa relação.'”
