Lula promete agir com reciprocidade após expulsão do delegado da PF dos EUA no caso Ramagem

 

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O presidente Lula prometeu agir com reciprocidade se tiver havido abuso por parte dos Estados Unidos no caso da expulsão do delegado da Polícia Federal no caso Ramagem.

Marcelo Ivo de Carvalho atuava junto ao Serviço de Imigração americano e participou da ação que prendeu o ex-diretor da Abin na Flórida.

O Departamento de Estado Americano acusa o delegado de tentar burlar o sistema de imigração dos Estados Unidos para promover perseguição política e pediu que ele deixasse o país.

O governo americano entendeu que a Polícia Federal tentou tratar o caso de Ramagem, que tem pedido de asilo, como uma deportação administrativa por status migratório, em vez de seguir os trâmites lentos de extradição judicial.

Em postagem nas redes sociais, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental diz que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração americano para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos.

O ex-diretor da Abin fugiu do Brasil em setembro do ano passado para não cumprir a pena de 16 anos de prisão a que foi condenado pelo STF por participar da trama golpista.

Ele foi preso na Flórida por questões migratórias e solto dois dias depois.

No dia da detenção, a Polícia Federal divulgou nota atribuindo a prisão à cooperação policial que os dois países mantêm.

O delegado Marcelo Carvalho atuava desde 2023 como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao ICE, em Miami, com funções voltadas à cooperação internacional e à identificação de foragidos brasileiros.

A Polícia Federal informou que não foi notificada formalmente sobre a decisão das autoridades americanas anunciada nessa segunda-feira (20).

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que não vai se manifestar sobre o caso neste momento.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que atua há mais de um ano nos Estados Unidos, comemorou a decisão do governo americano.

O oficial expulso dos Estados Unidos será substituído pela delegada Tatiana Alves Torres.

Ela foi nomeada para a função no dia 20 de março, bem antes do incidente diplomático, conforme portaria assinada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e publicada no Diário Oficial da União.

Em tese, a delegada vai representará a Polícia Federal no ICE e intermediará a troca de informações entre Brasil e Estados Unidos, além de apoiar investigações conjuntas.

Tatiana é delegada de carreira desde 2002; já foi superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais e, desde dezembro do ano passado, estava na função de coordenadora-geral de Gestão de Processos da Diretoria de Gestão de Pessoas.

Antes de deixar a Alemanha, o presidente Lula disse que o Brasil não pode aceitar ingerência e abuso de autoridade por parte dos Estados Unidos.