Lula levará defesa de IA com inclusão e controle de riscos a cúpula na Índia

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, durante visita à Índia, a necessidade de equilibrar o potencial econômico e social da tecnologia com a mitigação de riscos como desinformação em larga escala, produção de conteúdos falsos, vieses algorítmicos e discriminação. O evento ocorrerá nos dias 19 e 20 de fevereiro, em Nova Déli, e contará com representantes de todo o mundo.

— São preocupações legítimas e que naturalmente farão parte do nosso posicionamento durante a cúpula — afirmou, nesta quinta-feira, o diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia, Inovação e Propriedade Intelectual do Itamaraty, Eugênio Garcia.

Segundo ele, o desafio central é “garantir o potencial extraordinário da tecnologia em termos de fomento, desenvolvimento e adoção de IA no Brasil”. Ao mesmo tempo, afirmou, o governo brasileiro busca prevenir e mitigar riscos existentes, de curto, médio e longo prazo.

A fala de Lula ocorrerá na plenária de alto nível do encontro, marcada para 19 de fevereiro. O presidente apresentará a perspectiva brasileira sobre governança e inclusão digital.

Garcia explicou que a declaração final da cúpula ainda está sendo concluída pelo governo indiano. Disse que é esperada uma declaração mais curta, diante do grande número de países e participantes. Segundo ele, o documento deverá destacar principalmente os resultados produzidos pelos sete grupos de trabalho criados para o encontro, organizados em torno de três pilares — pessoas, planeta e progresso.

Cada grupo, ou “chakra”, apresentará entregas específicas. Entre os produtos previstos estão uma carta para a difusão democrática da IA, o estabelecimento de uma rede internacional de IA para instituições científicas e um guia para o avanço da infraestrutura resiliente em IA.

No grupo sobre IA segura e confiável — co-presidido por Brasil e Japão — estão previstos um repositório de iniciativas e bases de dados que contribuam para aumentar a confiança nos sistemas de IA, um repositório de acesso aberto, uma plataforma colaborativa que está sendo montada, e também uma nota de orientação sobre governança da IA. Todos os textos foram negociados previamente e passam por ajustes finais.

No dia 20 de fevereiro, o governo brasileiro organizará um evento paralelo no mesmo centro de convenções, o Bharat Mandapam. O nome da iniciativa é “IA para o bem de todos: perspectivas brasileiras para o futuro da inteligência artificial”. A iniciativa contará com a participação de ministros que integram a comitiva presidencial, entre eles representantes dos ministérios das Relações Exteriores, da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, da Educação, da Saúde e das Comunicações. Segundo Garcia, o objetivo é apresentar a visão brasileira sobre o desenvolvimento e a governança da inteligência artificial.

— A discussão sobre IA tem crescido muito na agenda internacional e já faz parte da nossa pauta diplomática — afirmou.

A cúpula dá continuidade a um processo iniciado em 2023, no Reino Unido, com foco em segurança da IA, seguido por reunião em Seul e pela Cúpula de Ação em Paris, no ano passado. O encontro na Índia será o primeiro conduzido por um país do Sul Global e deverá reunir representantes de dezenas de governos, além de empresas de tecnologia, pesquisadores e integrantes da sociedade civil.

O principal momento do evento será a plenária de alto nível, com participação de Lula e do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que fará o discurso de abertura. Foram convidados mais de cem países — dos quais cerca de 50 já confirmaram presença em alto nível — e a expectativa é de aproximadamente 40 mil participantes.

Garcia destacou que se trata de um evento multissetorial, com presença de governos, setor privado, sociedade civil, universidades e pesquisadores. Entre os executivos de grandes empresas de tecnologia já confirmados estão representantes de Microsoft, Google, OpenAI, NVIDIA, Anthropic, DeepMind e outras companhias, além de empresas indianas.