Lula lança amanhã programa contra crime organizado com foco na asfixia financeira das facções

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança nesta terça-feira, 12, o 'Programa Brasil Contra o Crime Organizado', com o objetivo de reduzir a rejeição do governo federal nesta área, que será uma das principais a serem discutidas na eleição presidencial de outubro. Como mostrou o Estadão/Broadcast, as ações preveem um investimento de R$ 960 milhões ainda em 2026.

A iniciativa terá quatro eixos de ação, com o principal buscando asfixiar a estrutura financeira das organizações criminosas e, nas palavras do próprio presidente, chegar mais no "andar de cima" dessas facções.

O evento de lançamento será realizado no Salão Oeste do Palácio do Planalto, às 10 horas, nesta terça. Lula estará acompanhado do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o programa foi elaborado após articulações feitas com os governos dos Estados, além de especialistas e forças de segurança pública. "O objetivo é desarticular as bases econômicas, operacionais e sociais das organizações criminosas em todo o território nacional", diz nota da Secom divulgada nesta segunda-feira, 11.

Além da asfixia financeira, há outros três eixos, que buscam elevar o padrão dos presídios brasileiros, aumentar o porcentual de elucidações de homicídios e o combate ao tráfico de armas.

Para sufocar o crime organizado financeiramente, o governo vai anunciar medidas que buscam descapitalizar as organizações. Para isso, serão feitos investimentos nos serviços de inteligência do poder público, como a compra de equipamentos de última geração e o aperfeiçoamento da estrutura do Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), iniciativa conjunta do governo federal e Estados brasileiros, destinada a desarticular financeiramente grupos criminosos.

O outro eixo do novo programa, que busca reformar o sistema prisional, terá como medida primordial a melhoria das estruturas de presídios estaduais.

No combate ao tráfico de armas, o governo Lula espera ter a colaboração do governo dos Estados Unidos. Em réplica ao interesse da Casa Branca em classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, o petista disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a maior parte dos armamentos contrabandeados vem do território americano.

"O Brasil tem expertise, tem uma extraordinária Polícia Federal e tem muita experiência no combate às drogas e ao tráfico de armas. É importante saber que parte das armas que chegam ao Brasil sai dos Estados Unidos", disse Lula em entrevista coletiva de imprensa em Washington após se reunir por três horas com Trump na Casa Branca, na última quinta-feira, 7.

De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, o novo programa do governo Lula é "muito consistente e engenhoso". Wellington César disse ainda que, a depender da articulação dos agentes da segurança pública, as consequências da iniciativa poderão ter forte impacto na diminuição do crime organizado.

"O programa terá quatro eixos estruturantes, que são muito relevantes, e que, bem coordenados, vão produzir um resultado muito relevante", afirmou o ministro após participar da formatura de novos agentes da Polícia Federal na última sexta-feira, 8.