Lula inicia ano eleitoral com agenda intensa de contatos internacionais

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o ano eleitoral mantendo contato direto, em curtos intervalos, com os principais líderes mundiais. As conversas — quase todas por telefone, à exceção da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com quem teve um encontro presencial no Rio de Janeiro — ocorrem em meio à deterioração do cenário internacional e ao aumento das tensões geopolíticas, como a situação na Faixa de Gaza, a guerra entre Rússia e Ucrânia e o impacto da ofensiva dos Estados Unidos sobre a Venezuela na América Latina.

Nesta segunda-feira, Lula conversou por cerca de 50 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo abordou a relação bilateral e a agenda global. Ao comentar o convite feito ao Brasil para integrar o Conselho da Paz proposto por Washington, Lula não deu resposta imediata, mas defendeu que o órgão tenha mandato restrito à situação em Gaza e inclua um assento para a Palestina. 

Os dois presidentes também trocaram impressões sobre a situação na Venezuela, trataram de cooperação econômica e do combate ao crime organizado transnacional e acertaram a realização de uma visita de Lula a Washington após sua viagem à Índia e à Coreia do Sul, prevista para fevereiro.

Lula falou com o presidente da China, Xi Jinping. Conversaram sobre o fortalecimento da cooperação bilateral e a defesa do multilateralismo em um contexto de rivalidade crescente entre grandes potências. Trataram ainda da necessidade de coordenação entre países do Sul Global.

Em conversa telefônica com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Lula abordou a parceria estratégica entre os dois países, a agenda econômica e a coordenação em fóruns multilaterais, no contexto da preparação da visita oficial do presidente brasileiro à Índia.

No eixo europeu, Lula manteve contato com Ursula von der Leyen, em encontro presencial voltado à relação entre a União Europeia e o Mercosul, à agenda econômica e à defesa do multilateralismo. O presidente brasileiro também conversou com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e com o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez.

A agenda internacional de janeiro incluiu ainda diálogo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A conversa abordou a situação na Venezuela, questões internacionais mais amplas e a cooperação bilateral.

Lula também conversou com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. A guerra em Gaza, a situação humanitária no território e a defesa da solução de dois Estados estiveram no centro do diálogo.

Ainda no início do mês, o presidente manteve conversa telefônica com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, centrada na situação venezuelana e na importância de preservar a estabilidade regional e buscar soluções políticas para a crise no país vizinho. O mandatário brasileiro falou ainda com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, em diálogo relacionado à situação política e institucional do país e aos impactos regionais da crise venezuelana.

Com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, a conversa foi voltada ao fortalecimento da relação bilateral e à coordenação política na América Latina. Já o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, tratou com Lula da situação na Venezuela e do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, que ocorrerá nesta terça e quarta-feira em seu país.

No evento do Panamá, Lula estará frente a frente com Mulino, Petro, além de Daniel Noboa (Equador), Bernardo Arévalo (Guatemala), Luis Arce (Bolívia) e o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.