O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou à coordenação de sua candidatura o ex-ministro e ex-governador Camilo Santana (PT), um dos responsáveis pela campanha vitoriosa do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) no Ceará. Santana deve dividir funções com o coordenador-geral da campanha e presidente nacional do PT, Edinho Silva, alvo de críticas sobre sua atuação. Lula deve reforçar a direção de sua campanha ainda com representantes dos governadores petistas Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí, reeleitos no primeiro turno.
Camilo Santana deve participar de decisões estratégicas da campanha. Junto com representantes dos governadores da Bahia e do Piauí, ajudará a mobilizar também a militância em Estados do Nordeste, para ampliar a votação do presidente na região. Lula venceu nos nove Estados, com mais de 50% dos votos, mas recebeu uma votação inferior à de 2022.
Ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Santana teve papel de destaque na campanha do governador Elmano de Freitas no Estado e foi cogitado para disputar o governo cearense, em meio às dificuldades enfrentadas pela gestão de Elmano. Santana deixou o governo federal no início de abril.
O petista Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, que tirou férias do cargo para se dedicar à campanha, também deve ter uma participação maior no segundo turno.
Nos Estados, diretórios criticaram a falta de organização da campanha de Lula no primeiro turno, sem informações sobre agendas do presidente, orientações para mobilizar a militância e sem material para divulgar a campanha. Aliados do presidente têm se queixado sobre os rumos da campanha, além de problemas na comunicação e organização. A ex-senadora Katia Abreu, por exemplo, cobrou maior participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e reclamou que o vice tem menos destaque do que a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. As críticas foram feitas em reunião com Lula e relatadas em entrevista à Globonews nesta quarta-feira (7).
Lula reforçou ainda as redes sociais e pediu para que deputados e influenciadores ajudem a ampliar o alcance das publicações da campanha petista na internet.
No segundo turno, Lula tem entre seus desafios melhorar a votação nos Estados da região Nordeste e tentar captar os votos daqueles que não votaram no primeiro turno, especialmente dos eleitores mais pobres que se abstiveram.
Mesmo nos três Estados do Nordeste em que o governador é do PT e foi reeleito já no primeiro turno (Bahia, Ceará e Piauí), Lula teve uma votação menor do que em 2022.
Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, o presidente caiu de 69,73% dos votos válidos da eleição passada para 66,17%. Já Flávio registrou 28,53%, mais do que os 24,31% de Jair Bolsonaro há quatro anos.
No Ceará, Lula recebeu 63,2%, mas teve 65,91% na disputa passada. Flávio teve 31,27% (em 2022, Jair Bolsonaro teve 25,38%).
No Piauí, o petista teve 70,99%, menos do que os 74,25% da eleição anterior. A votação dos Bolsonaro passou de 19,9% para 24,09%.
Entre os desafios da campanha para ampliar a votação nesses Estado está manter a base mobilizada e convencer o eleitor a ir votar no segundo turno. Dos nove Estados da região Nordeste, oito já resolveram a eleição para governador no primeiro turno, o que costuma dispersar a militância e dificulta a divulgação diária da candidatura do petista.
A campanha de Lula tenta buscar mais votos também na região Sudeste, que concentra a maior parte do eleitorado do país. Em São Paulo, o petista teve 1,7 milhão de votos a menos do que recebeu em 2022. O Estado, com o maior colégio eleitoral do país, é estratégico para a vitória de um candidato à Presidência. Em 2022, o presidente não venceu em São Paulo no segundo turno, mas conseguiu reduzir a desvantagem do PT em relação à campanha de 2018, de 8 milhões de votos para 2,6 milhões. A redução dessa diferença de votos, além da votação expressiva na região Nordeste, foi essencial na contagem total de votos no país.
Outro ponto destacado como prioridade por aliados do presidente é a redução da abstenção dos eleitores no segundo turno. O país teve recorde de abstenção, de 33,4 milhões de eleitores, 21% do total. Os Estados nordestino tiveram uma abstenção abaixo da média nacional, mas ainda assim os percentuais foram altos. Em Alagoas, por exemplo, foi de 20,61% e na Bahia, de 19,97%.
O presidente Lula e Camilo Santana Brenno Carvalho/Agência O Globo
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