Após virada inédita nas urnas, presidente criticou Flávio Bolsonaro, denunciou interferência digital e defendeu a regulamentação das redes sociais O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez seu primeiro discurso após ser reeleito neste domingo (25), com críticas a Flávio Bolsonaro (PL) e um recado às big techs.
Após uma virada inédita nas eleições de 2026, o petista defendeu a regulamentação das redes sociais e afirmou que a disputa foi marcada por mentiras e interferência externa. “Essa eleição é uma eleição que tivemos que vencer a intromissão de fora para dentro através de redes sociais.
Vamos ter que regulá-las”, declarou Lula, ao defender que crimes cometidos no ambiente digital sejam tratados da mesma forma que aqueles praticados fora da internet. O presidente também criticou as grandes empresas de tecnologia e cobrou maior responsabilidade das plataformas.
Durante o discurso, Lula chamou o resultado de uma derrota do “negacionismo e da mentira” e atacou a postura do adversário nos debates, embora não tenha citado Flávio nominalmente nesse trecho. “Eu confesso que cada vez que eu ia num debate eu ficava constrangido, porque eu já debati com muita gente, me reuni com os principais presidentes do mundo, mas nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo desse país”, afirmou.
“Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro dela uma célula de humanismo. Parece tudo falso”, acrescentou.
Lula também agradeceu à população, especialmente aos jovens e idosos que compareceram às urnas. O presidente relatou ter visto eleitores sendo ajudados por familiares para conseguir votar.
“Vi muita cena de pessoas sendo carregadas por seus netos para votar, porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para segurar a democracia”, disse. O petista reconheceu ainda o trabalho da equipe de campanha e do deputado federal André Janones (Avante-MG), que atuou na mobilização digital.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também foi elogiado por Lula pela lealdade durante o mandato. Antes, Alckmin havia afirmado que o presidente “salvou a democracia brasileira pela segunda vez” e prometido continuar trabalhando ao seu lado.
Lula foi reeleito aos 80 anos, após superar Flávio Bolsonaro, de 45, no segundo turno. Pela primeira vez na história das eleições presidenciais brasileiras, um candidato que terminou a primeira etapa da disputa em segundo lugar conseguiu reverter o resultado.
Com 99,95% das urnas apuradas, o petista tinha 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do candidato do PL. Lula também ultrapassou 64 milhões de votos, superando seu próprio recorde de aproximadamente 60 milhões, registrado em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro.
A eleição teve ainda as menores taxas de abstenção e de votos inválidos desde 2002. Cerca de 3 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno compareceram às urnas neste domingo.
Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil. Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital.
Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros. Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social.
Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas. Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias.
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