Lula exige quebra do sigilo da sociedade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Diante do impasse sobre a exposição de dados financeiros dos candidatos nas eleições de 2026, o presidente Lula (PT) direcionou uma petição ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contestando a exclusão dos registros bancários e fiscais da Alcazar Holdings, pertencente ao advogado Willer Tomaz, sócio do senador Flávio Bolsonaro (PL), informa Manoela Alcântada, do Metrópoles.

“Se, como afirma, nada tem a esconder, não há razão para que a conta da Alcazar fique fora das gavetas que ele mesmo propôs abrir. Quem não deve, não recorta”, argumentou o presidente na manifestação apresentada ao tribunal.

O nó central da disputa entre os postulantes diz respeito à firma registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e o acesso concedido ao parlamentar. Investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre suposta prática de lavagem de dinheiro por Willer Tomaz revelaram que Flávio Bolsonaro figurava na condição de “usuário master” em uma conta mantida pela firma no Banco Santander. Em razão desses indícios, Lula requereu a devassa formal sobre a offshore.

Apesar de ter aceitado a proposta de exposição financeira, o parlamentar alegou no processo judicial que não pode fornecer as informações bancárias por não possuir cota societária, cargo de gestão ou benefício direto na estrutura da Alcazar.

Condição de transparência e perfil de acesso

No recurso encaminhado à Corte Eleitoral nesta quinta-feira (22), a equipe jurídica do presidente assentou que concorda com os termos da verificação de contas “sem se opor a absolutamente nada”. No entanto, os advogados condicionaram o acerto à efetivação total do pacto inicial, sem o descarte de nenhuma pessoa jurídica ou investigado.

A controvérsia principal reside no privilégio de movimentação do parlamentar na conta corrente da entidade internacional. A defesa de Lula frisou na peça probatória que a questão central não passa pela presença do senador no contrato social, mas sim pelo cadastramento de seu nome como operador principal do patrimônio mantido na instituição bancária.

Informações obtidas pela Polícia Federal na nuvem do advogado expuseram mensagens de correio eletrônico e documentos de abertura da conta corporativa indicando que o acesso especial era compartilhado de forma restrita entre o defensor e o parlamentar. A representação legal aponta ainda que, em 22 de maio de 2025, aproximadamente um mês após o deflagrar da fase inicial da Operação Sem Desconto, uma funcionária do escritório de advocacia pediu ao banco a desvinculação do registro do senador.

Uso de aeronave particular e exigência formal

Com o intuito de evidenciar as relações pessoais e financeiras entre os citados, o documento cita diligências policiais que registraram o deslocamento do senador a bordo de um jato executivo modelo Legacy 650, de prefixo PP-NLR, pertencente à Alcazar Holdings, em trajeto vindo dos Estados Unidos rumo a Brasília no mês de janeiro de 2025. O dossiê elenca também fretamentos de vôos privados efetuados pela Cathedral Holdings, outra corporação gerida por Willer Tomaz, em rotas entre Portugal e França.

Os dados financeiros derivados dessa movimentação bancária da offshore originaram desdobramentos policiais remetidos pela corporação federal ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Como pré-requisito para solucionar a pendência e selar o acordo de transparência pública, o presidente Lula cobra que o adversário apresente documento formal autorizando a quebra do sigilo fiscal e bancário da Alcazar Holdings e de sua filial, a Alcazar Brasil Ltda.

O critério estipulado pelo PT determina que, caso a parte envolvida não tenha os documentos em mãos, apresente declaração assinada pelo proprietário legal da firma, norma igualmente imposta a assessores e aliados do próprio presidente.

“A entrega simultânea e integral da proposta formulada afastará qualquer discussão sobre quem deve abrir as gavetas primeiro. Se a Alcazar continuar de fora, o eleitor saberá de onde partiu a recusa”, conclui Lula.

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