Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem nos bastidores que o governo aja com cautela na reação à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Um grupo de interlocutores defende que qualquer resposta fora do tom pode sugerir um alinhamento de Lula ao ministro Alexandre de Moraes, que é próximo de Andrei Rodrigues e adversário de Mendonça na Corte. Isso poderia ter reflexo eleitoral direto ao petista, uma vez que Moraes enfrenta suspeitas quanto sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Outra avaliação é que uma reação muito forte, com declarações e ataques, pode transformar Mendonça em vítima. Na terça-feira a Advocacia Geral da União (AGU) apresentou recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a suspensão do afastamento do diretor-geral da PF. O órgão argumenta que a medida interfere em uma atribuição do presidente da República e pode prejudicar o funcionamento da PF. Apesar da ação formal, no Planalto, a avaliação é que qualquer medida que incendeie ainda mais a crise, como a sugestão do advogado Marco Aurélio Carvalho, de convocar o Conselho da República, deve ser evitada neste momento. Na visão de pessoas próximas a Lula, com a decisão contra Rodrigues, o ministro do STF deixou clara a sua intenção de interferir na disputa eleitoral. Isso deve ser explorado pelos petistas, mas em um tom que ainda está sendo calibrado. Aliados também entendem que Mendonça se colocou no mesmo nível de Alexandre de Moraes, que na quinta-feira pediu abertura de investigação contra o colega no inquérito das fake news. O entorno do presidente também desconfia que o ministro criou uma armadilha para o governo, no qual a defesa de Polícia Federal por parte da gestão petista pode representar riscos futuros, caso haja vazamentos que apontem eventuais irregularidades na condução de inquéritos sensíveis por parte de integrantes da instituição. Por outro lado, não contestar a decisão de Mendonça seria uma derrota política ao governo e endossaria os argumentos usados pelo ministro na decisão. Para determinar a saída de Andrei Rodrigues no cargo, Mendonça argumenta que é monitorado há mais de 30 dias pela PF. O assunto foi discutido em reunião de coordenação de campanha e com ministros do governo no Palácio da Alvorada na manhã desta terça-feira. De acordo com dois interlocutores do petista, Lula quer ouvir aliados de diferentes perfis antes de definir qual será a linha adotada por sua campanha sobre a crise. Pela manhã, o petista se reuniu com integrantes da coordenação e auxiliares para discutir os próximos passos, mas, segundo um aliado, não houve martelo batido. No começo da manhã, o ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, foi às redes sociais criticar a decisão de Mendonça, falando em "intromissão" e "cheiro eleitoral". Esse posicionamento foi seguido por alguns parlamentares governistas e por nota da bancada do PT na Câmara. Outros aliados, no entanto, silenciaram ainda aguardando a linha que será dada pelo presidente. Petistas veem ato deliberado do ministro para construir narrativa favorável a Flavio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula. Mendonça foi indicado pelo pai do presidenciável, Jair Bolsonaro em 2021. Aliado de André Mendonça, o ministro da advocacia-geral da União (AGU), Jorge Messias é pressionado internamente a ter uma posição contundente contra o pedido de limiar do ministro da Corte. Ainda pela manhã, interlocutores de Messias, avisaram que a AGU que iria recorrer da decisão de André Mendonça, com o argumento de que, ao determinar a medida monocraticamente, o magistrado violou competência privativa da Presidência da República.
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Lula evita embate com Mendonça para não ser contaminado por rejeição a Moraes e usa AGU para marcar posição
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O Globo
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