Lula é procurado por líderes internacionais para falar sobre ataque dos EUA à Venezuela

 

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Líderes de vários países procuraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da crise na Venezuela, desencadeada após a ação militar dos Estados Unidos no fim de semana. Entre eles estão o francês Emmanuel Macron, o colombiano Gustavo Petro e o espanhol Pedro Sánchez, informam interlocutores do governo brasileiro. As conversas devem ocorrer assim que Lula retornar a Brasília.

O presidente está no Rio de Janeiro e a expectativa é que volte à capital federal entre esta terça e quarta-feira, quando dará início a uma rodada de contatos diplomáticos sobre a situação venezuelana.

Lula conversou no sábado com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, logo após a ação americana. Além dos líderes europeus e latino-americanos, há a possibilidade de uma conversa telefônica com o presidente dos EUA, Donald Trump. Até o momento, porém, não há nada confirmado.

As articulações ocorrem após o ataque realizado por Washington à Venezuela no sábado passado, quando forças americanas capturaram o então presidente Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores. Ambos foram levados aos Estados Unidos, onde responderão a acusações de narcotráfico e outros crimes. A operação provocou reação imediata de países da região e reacendeu o debate sobre os limites da atuação unilateral de Washington.

O Brasil está entre os governos que condenaram a ação. Neste domingo, Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta na qual expressam “profunda preocupação e rejeição” às iniciativas militares realizadas de forma unilateral em território venezuelano. Segundo o documento, divulgado pela chancelaria colombiana, as ações violam princípios fundamentais do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas.

A posição desses países contrasta com a adotada por governos de orientação mais à direita na região, como Argentina e Peru, que não subscreveram a declaração conjunta. No Itamaraty, a avaliação é que a crise exige coordenação política e diplomática para evitar novos desdobramentos e reduzir os impactos regionais de um episódio considerado de alta gravidade.

Ao iniciar os contatos internacionais, o governo brasileiro busca articular uma resposta política que reforce o multilateralismo e a defesa do direito internacional, ao mesmo tempo em que mantém canais abertos de diálogo diante de um cenário ainda marcado por incertezas sobre os próximos passos dos Estados Unidos e da Venezuela.