Lula e Alcolumbre se encontram pela 1ª vez em posse no TSE depois de derrota de Messias ao STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acompanham nesta terça-feira a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Trata-se do primeiro encontro público entre as duas autoridades desde a derrota histórica que o Senado impôs ao Planalto ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de abril.
Lula e Alcolumbre estão sentados lado a lado na mesa de autoridades. Também estão presentes representantes dos três Poderes.
A avaliação do entorno de Lula é que a derrota de Messias foi orquestrada por Alcolumbre, que desde o início ficou contrariado com a escolha do petista em indicar o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). O senador defendia o nome de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), um de seus principais aliados. Publicamente, Alcolumbre nega qualquer atuação nesse sentido.
No dia da sabatina, senadores afirmaram que Alcolumbre telefonou para alguns parlamentares pedindo para votar contra Messias. Antes de o placar da votação ser revelado, o presidente do Senado cochichou ao líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), que o candidato governista seria derrotado. A fala de Alcolumbre foi captada pela transmissão da sessão.
Mais cedo nesta terça, o presidente do Senado faltou à cerimônia no Palácio do Planalto que marcou o lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, apesar de ter sido convidado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acompanhou a solenidade.
O presidente do Senado foi considerado um dos principais pontos de governabilidade de Lula nesse terceiro mandato. Ele se afastou do Planalto após a indicação de Messias ao STF, fazendo duras críticas ao governo e ao próprio presidente. Agora, governistas apostam que o presidente irá se aproximar de Motta. O presidente da Câmara têm feito gestos ao governo e busca apoio do petista para eleger o seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), para uma vaga ao Senado neste ano.
Após a derrota do chefe da AGU, aliados de Lula se dividiram sobre qual deveria ser o tom adotado pelo governo federal para reagir ao ocorrido. De um lado, um grupo de aliados defendia que o governo rompesse com Alcolumbre e fizesse uma revisão das indicações na máquina federal de pessoas indicadas pelo senador. De outro, auxiliares do petista falavam em não aumentar o tensionamento com a cúpula do Senado para não criar problemas na aprovação de pautas consideradas prioritárias para o Executivo.
Na semana passada, ministros de Lula estiveram com Alcolumbre, numa primeira tentativa do governo de reconstruir a relação com o comando da Casa. José Múcio (Defesa) e José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) se reuniram reservadamente com o parlamentar. Múcio afirmou ao GLOBO que o momento era de reduzir a temperatura política e “de apaziguar”.
