Lula diz que vai combater crime organizado 'da esquina até o andar de cima' para devolver território ao povo brasileiro

 

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O presidente Lula afirmou hoje que o governo vai combater o crime organizado "da esquina até o andar de cima" para devolver o território ao povo brasileiro. Durante o lançamento do programa Brasil contra o crime Organizado com orçamento de R$ 11 bilhões de reais, Lula disse que o foco não deve ser apenas na periferia, mas nas estruturas financeiras que sustentam as facções. Segundo o presidente, muitas vezes o criminoso "está no andar de cima, tomando whisky e zombando da nossa cara".

O governo lançou hoje o Programa Brasil contra o Crime Organizado. Com um orçamento total previsto de R$ 11,1 bilhões, o objetivo é asfixiar financeiramente as facções, controlar os presídios, rastrear o tráfico de armas e esclarecer homicídios. O plano destina mais de um bilhão de reais em investimentos diretos da União e dez bilhões em linhas de financiamento pelo BNDES para estados e municípios. 

O ministro da Justiça, Wellington César, destacou a recente aprovação da lei antifacção e a garantia de recursos para a segurança. Segundo o ministro, o programa foi baseado em evidências científicas e desenhado para devolver os territórios aos brasileiros.

Na prática, o governo quer cortar o fluxo financeiro do crime. O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, afirmou que "o crime organizado está na Faria Lima e aprendeu a usar gravata". Para investigar esse esquema de lavagem de dinheiro, o governo vai ampliar as atuais trinta e três Forças Integradas (FICCOS) para cerca de quarenta e cinco até o final do ano.

Como a CBN antecipou, 138 unidades estaduais mais sensíveis passarão a operar com padrão de segurança máxima. O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, foi taxativo ao descrever o cenário atual: 'Hoje, no Brasil, de dentro da cela, o chefe do tráfico comanda o bairro. Isso não é prisão, parece mais um escritório do crime'

Ele informou que as unidades mapeadas abrigam 158 mil detentos e passarão por, pelo menos, duas operações mensais para retirada de celulares e outro objetos ilícitos. O governo também anunciou o uso de drones e georadares capazes de detectar a escavação de túneis. 

O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que esteve presente para saudar a iniciativa do Lula, defendeu a integração da União, estados e municípios e ressaltou que o parlamento fez sua parte e continuará fazendo: 'Nenhuma instituição vencerá o crime sozinha'.

'A câmara assumiu a discussão do tema da segurança pública. Fizemos isso sem partidarizar o tema porque a segurança pública não pertence nem ao governo nem a oposição pertence a cidadania brasileira'.

Para o combate na ponta, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança Pública, Jean Nunes, lembrou que as ações precisam ser sentidas pela população. Usando a Paraíba como exemplo, onde 84% por cento das mortes violentas envolvem armas de fogo. Nunes avaliou que o plano chega em boa hora, mas cobrou integração: 'Não podemos colocar só nas mãos do governo federal'.