Lula diz que trabalhará por votos no 2º turno e reclama de 'carregar nas costas promiscuidade' do STF

Lula diz que trabalhará por votos no 2º turno e reclama de 'carregar nas costas promiscuidade' do STF - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

Um dia após o primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início ao “freio de arrumação” que quer promover em sua campanha e admitiu que precisa falar mais aos eleitores e fazer mais mobilização. Ele afirmou que um dos focos será trabalhar para reverter a alta abstenção da primeira etapa da eleição, e disse que houve um prejuízo a sua campanha por estar "carregando nas costas a promiscuidade que ficou estabelecida" no Supremo Tribunal Federal (STF). "Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois das denúncias. É verdade que ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte", afirmou Lula, em referência à crise do STF gerada após a revelação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo magistrados, entre eles Alexandre de Moraes. As declarações foram feitas após reunião de alinhamento de sua campanha nesta segunda-feira (5) em Brasília. Na fala, o presidente voltou a prometer a reforma do Judiciário e novos critérios para escolher ministros do Poder. No discurso do começo da noite, Lula reconheceu a decepção com o resultado desse domingo (4), que terminou com o adversário Flávio Bolsonaro (PL) à frente. O presidente exigiu uma movimentação de seu grupo político. Segundo ele, serão 20 dias até o segundo turno em que "teremos que colocar para fora o que deveríamos ter colocado no ano inteiro, o que está por trás da eleição", disse. Dentre as estratégias, o presidente se disse um candidato "antissistema" e classificou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno, como "herdeiro do fascismo". "Vamos ganhar a eleição colocando o que é verdade no país e a biografia dos candidatos", afirmou.

A ideia apresentada é mostrar que as políticas sociais não estarão garantidas, caso não seja reeleito. "Vocês acham que o programa Mais Especialistas vai continuar no governo deles? Nem todo presidente gosta de aumentar salário mínimo acima da inflação", pontuou. Além disso, insistiu que não se pode esperar a posse da nova configuração do Senado para votar Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. "Não há razão econômica, social nem política para eu não ser reeleito no segundo turno." O chefe do Executivo, então, disse que precisa "fazer mais rádio, mais selfie, conversar mais e arrumar tempo para fazer campanha". Nesse sentido, afirmou que é importante participar dos debates nesta segunda etapa — o que não fez no primeiro turno -- "porque é tête-à-tête". Outro pilar para o segundo turno será o combate à abstenção. Segundo Lula, será preciso trabalhar em cima dos mais de 30 milhões de eleitores que não votaram no domingo (4).

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