Lula diz que quer criar uma inteligência artificial brasileira

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Lula não quer depender das inteligências artificiais americana ou chinesa Criado com inteligência artificial

Reeleito presidente da República no domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre inteligência artificial, big techs e soberania digital em seu discurso de vitória. Lula fez um pronunciamento em um hotel em São Paulo (SP), após a confirmação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre outros pontos, Lula defendeu o desenvolvimento de uma inteligência artificial brasileira. Para isso, disse que será preciso ampliar o ensino de disciplinas ligadas à ciência e à tecnologia, com destaque para matemática e engenharia.

“Queremos ensinar mais matemática, mais engenharia porque não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa e americana. Quero criar uma inteligência artificial brasileira”, afirmou, referindo-se à proposta de criar modelos de linguagem em português e outras línguas, direcionados a problemas e necessidades do país.

Entre as áreas que poderão receber aplicações de inteligência artificial estão o agronegócio, a saúde e os serviços financeiros. Também no pronunciamento, Lula afirmou que venceu a "intromissão das plataformas digitais" e disse que vai trabalhar pela regulação das big techs.

"Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto pra esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país", disse o presidente.

Ao longo das últimas semanas, a campanha do petista acusou a Meta, empresa que controla o Instagram, Facebook e WhatsApp, de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio. Coordenadores da campanha relataram uma série de episódios que, para a equipe de Lula, demonstrava um padrão de prejuízo à visibilidade da campanha governista.

O que diz o programa de governo sobre a inteligência artificial Época NEGÓCIOS analisou o programa de governo de Lula submetido ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para saber quais são as propostas relacionadas à inteligência artificial.

No programa de Lula, a política para inteligência artificial aparece principalmente dentro de uma estratégia mais ampla de “soberania digital”. O documento afirma que o Brasil deve ter capacidade de “desenvolver, operar, regular e governar tecnologias estratégicas” e propõe fortalecer a IA desenvolvida por empresas brasileiras.

Entre as medidas estão uma “infraestrutura computacional soberana”, com supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições nacionais, e o desenvolvimento de modelos de linguagem em português e outras línguas, apoiados por uma plataforma nacional de dados para treinamento e avaliação.

O programa também prevê investimentos em instituições públicas que desenvolvem IA e na indústria brasileira de hardware e software de alto desempenho. O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva

Wallison Breno/PR Data centers também entram nessa estratégia.

O documento propõe que a expansão dessas infraestruturas seja acompanhada por salvaguardas socioambientais obrigatórias, incluindo eficiência energética, utilização progressiva de fontes 100% renováveis e avaliação dos impactos sobre sistemas elétricos e hídricos e populações locais.

Também prevê contrapartidas de conteúdo local e capacidade computacional para o mercado interno. Há ainda aplicações setoriais.

Na saúde, o programa propõe acelerar o uso de IA para triagem, priorização de casos graves, regulação por risco clínico e diagnóstico em regiões com escassez de especialistas. Na administração pública, prevê transformar o Portal da Transparência em uma plataforma inteligente baseada em dados abertos e IA.

Na governança da tecnologia, o documento propõe consolidar a transparência algorítmica e a rastreabilidade de conteúdo sintético. Na cultura, fala em regulamentar a IA para que músicos, autores e artistas sejam remunerados quando plataformas utilizarem conteúdo brasileiro.

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