Lula diz que Petrobras deve anunciar ‘em pouco tempo’ se há petróleo na Margem Equatorial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que a Petrobras deve anunciar “em pouco tempo” se há petróleo na Margem Equatorial, área localizada na costa do Amapá, uma das principais apostas para exploração de óleo e gás no país e alvo de disputa entre governo, ambientalistas e setor de energia.
— Eu penso que falta pouco tempo a Petrobras anunciar se tem ou não o petróleo que a gente imagina que tem — afirmou o presidente durante entrevista ao Jornal da Amazônia 1ª Edição, da Rede Amazônica.
Segundo Lula, os estudos necessários para a exploração já foram concluídos e o governo aguarda agora o avanço das análises da estatal sobre o potencial econômico da área.
No evento em Manaus, o presidente falou também que a Petrobras pode discutir uma parceria com a estatal mexicana Petróleos Mexicanos (Pemex) para prospecção de petróleo em águas profundas no Golfo do México. Ao comentar a possibilidade, ele brincou com uma eventual reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A Margem Equatorial abrange uma faixa marítima de mais de 2,2 mil quilômetros entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, incluindo as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. A região é vista pelo governo e pela indústria petrolífera como uma aposta estratégica para ampliar a produção nacional de petróleo nas próximas décadas.
O principal foco das discussões está na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá, onde a Petrobras recebeu licença ambiental para perfurar um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e 175 quilômetros da costa. A perfuração busca identificar a existência de petróleo e gás em escala comercial.
O tema ganhou peso após a descoberta de grandes reservas de petróleo na Guiana, país vizinho ao Brasil. Desde 2015, a exploração na região transformou a economia guianense e despertou o interesse de multinacionais do setor, como ExxonMobil e Chevron, além da própria Petrobras.
Na entrevista, Lula voltou a defender a exploração da área, mas afirmou que ela precisará ocorrer com responsabilidade ambiental.
— Nós temos, obviamente, que ter muita responsabilidade de extrair petróleo lá, mas nós temos uma vantagem que é a expertise da Petrobras — disse.
O presidente também afirmou que, caso sejam confirmadas reservas relevantes de petróleo ou gás, a exploração poderá impulsionar o desenvolvimento econômico da região Norte.
— Vai ser muito bom para desenvolver a região Norte, vai ser muito bom para desenvolver a região do Amapá, mas não só o Amapá, os estados no Norte vão ter que ser beneficiados com essa riqueza se a gente encontrar aquilo que a gente está pensando — declarou.
Lula também defendeu o avanço de pesquisas e exploração de outros recursos naturais na Amazônia, como minerais críticos, terras raras e potássio. Segundo ele, o governo quer ampliar o aproveitamento econômico da região sem deixar de lado a proteção ambiental.
— Nós não vamos perder tempo porque nós estamos preocupados, inclusive, em fazer a descoberta da quantidade de minerais críticos e de terras raras que nós temos aqui no Brasil — afirmou.
O presidente relacionou a corrida global por minerais estratégicos ao avanço da inteligência artificial e disse que o Brasil precisa disputar espaço nesse mercado.
— O que se fala no mundo é o seguinte: é inteligência artificial e terras raras — disse Lula.
Ele também citou o potencial de exploração de potássio no país e afirmou que a atividade precisará ocorrer com cautela ambiental.
— O Brasil precisa, nós temos, e temos que saber como explorar sem causar danos ao meio ambiente — declarou.
A exploração na Margem Equatorial enfrenta resistência de ambientalistas, que alertam para os riscos de impactos sobre ecossistemas considerados sensíveis, como os manguezais da Costa Norte e o sistema de recifes amazônicos.
A Petrobras prevê investimentos de cerca de US$ 3 bilhões na Margem Equatorial entre 2025 e 2029, incluindo a perfuração de novos poços exploratórios na região.
