O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista à Record que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, – investigado por suspeita de tráfico de influência junto ao governo federal – deve se defender das acusações e que “ninguém está acima da lei”, inclusive seu próprio filho.
“Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente.
Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado”, disse.
“Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa.
Ninguém está [acima da lei] se cometer erro”, disse o presidente.
A íntegra da entrevista irá ao ar no programa Domingo Espetacular, a partir das 20h30 deste domingo.
Segundo Lula, o filho deverá ser julgado e provar sua inocência:
“Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado.
Mas ele tem que provar a inocência dele”, completou Lula.
“Não tenho medo de ser investigado, de participar de inquérito.
E isso vale para o meu filho e para qualquer pessoa.
Ninguém está impune se cometeu um erro.
Portanto, esse é o papel do presidente”.
Em mensagem no WhatsApp recuperada pela Polícia Federal (PF), Lulinha afirma que a lobista Roberta Luchsinger era responsável por cuidar das finanças dele.
A conversa faz parte do material que embasou o pedido da PF para investigar o filho do presidente por suspeita de tráfico de influência junto ao governo federal.
Segundo a PF, Lulinha seria beneficiário indireto das articulações feitas pela lobista.
De acordo com o material revelado nesta quinta-feira (20) pela revista Veja, Lulinha teria dado a declaração em uma conversa com Roberta Luchsinger sobre uma viagem que ele faria à África bancada por ela.
“A gente tem grana pra bancar essas coisas?”, indagou Lulinha, que logo na sequência acrescentou: “Vc que cuida das minhas finanças”.
O conjunto de mensagens foi encontrado no celular de Luchsinger.
A empresária foi alvo de buscas da PF, em dezembro do ano passado, na Operação Sem Desconto, que mira as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ao analisar o conteúdo, a corporação identificou conversas em que ela venderia uma suposta influência, atuando como uma espécie de porta-voz de Lulinha.
As mensagens, segundo a PF, mostram ainda que ela tentou abrir portas em diferentes áreas do governo federal em conjunto com Fernando Bittar, amigo e sócio de Lulinha que ficou conhecido na Operação Lava-Jato por ser o dono do sítio que era frequentado por Lula em Atibaia (SP).
Para a PF, o filho do presidente Lula seria um beneficiário indireto das articulações feitas em seu nome por Roberta e mantinha uma exposição menor nas tratativas.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao lado do pai na missa de um ano da morte da mãe, Marisa Leticia
Edilson Dantas/Agência O Globo
