Lula diz que Haddad tem potencial 'extraordinário', mas 'precisa um pouco mais' para liderar a esquerda em 2030

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Fonte da notícia: Valor Valor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, é um 'companheiro com potencial extraordinário de crescimento', mas fez ponderações quanto a possibilidade de o petista ser seu sucessor nas eleições de 2030.

"Para ser líder, [Haddad] precisa ter um pouco mais disso. Tem que ser o primeiro a chegar no lugar, tem que ser último a sair. Tem que carregar as cadeiras pra sentar, ser disposto a repartir com as pessoas as coisas. Tem que ir pra luta e tem que ter coragem de dizer as coisas boas".

As declarações foram dadas nesta sexta-feira (14) em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, em que o presidente evitou cravar o nome para liderar a esquerda. “Nós temos muita gente boa surgindo, nós temos o sucesso do Camilo [Santana] no Ceará; o Rui Costa, que é um belo governador da Bahia; o Rafael [Fonteles] do Piauí, que é um extraordinário quadro muito jovem. Nós temos uma figura como João Campos; como o [ministro Guilherme] Boulos. Eu tenho dito para eles: ‘Vocês precisam sair do gueto de vocês e viajar o Brasil’”, afirmou. Leia mais Lula afirmou ainda que o Brasil não tem um partido de alcance nacional e que as lideranças políticas são predominantemente locais. “Nós precisamos nacionalizar essas pessoas. A internet está criando os falsos líderes, os especialistas em falar bobagens”, disse. Eleições no Ceará O presidente afirmou que o atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), será reeleito. “Acho que o Elmano é o melhor para o Ceará”, afirmou o petista. Lula disse ainda que, com o apoio dele, do senador Camilo Santana (PT-CE) e do senador Cid Gomes (PSB-CE), seria “quase que humanamente impossível” Elmano não vencer a eleição de outubro. “O Elmano vai ganhar as eleições. O Ciro Gomes é uma figura conhecida (...), mas, com o meu apoio, com o do Camilo, do Cid, é quase que humanamente impossível o Elmano não ganhar as eleições. Nós vamos vincular: quem vota no Lula, vota no Elmano”, disse. Em meados do mês passado, Lula precisou intervir pessoalmente na construção de seu palanque no Ceará e convenceu Cid a disputar a reeleição, que é irmão de Ciro. Os dois romperam politicamente em 2022, após divergências sobre a disputa eleitoral no Estado.

O presidente afirmou que pretende trabalhar para eleger Elmano e anunciou que gravará vídeos para apoiar a campanha. O governador enfrenta, porém, um cenário eleitoral desafiador no Estado. Pesquisa Datafolha mais recente mostra o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) com 52% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Elmano. Questionado sobre a aproximação de Ciro com figuras do bolsonarismo, Lula evitou comentar diretamente o movimento e concentrou as críticas no perfil político do ex-governador. Segundo o presidente, Ciro é “muito personalista” e tem dificuldade de se enquadrar em projetos coletivos. “Eu, quando falo do Ciro, falo de uma pessoa que eu gostei muito. O problema é que o Ciro acha que o mundo gira em torno dele. Você vê quantos partidos ele já entrou? Ou seja, a única coisa que presta é o que ele acha que presta. Ele não se enquadra num coletivo, é muito personalista. Se ele fosse escrever um livro, o título seria: 'Eu me amo’”, afirmou. O petista também disse que Ciro tentou se apresentar como alternativa à esquerda e, posteriormente, ao centro, mas não conseguiu se eleger presidente. Na avaliação do petista, faltou ao ex-ministro “um pouco de humildade” para alcançar o cargo. Apesar das críticas, afirmou que prefere “guardar as lembranças das coisas boas” que fez ao lado de Ciro, que foi seu ministro da Integração Nacional. “Não quero ficar falando mal do Ciro (...). Ele tomou o destino dele e está tudo bem”, disse.

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